Do coração e outros corações

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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Economia para todos

do Blog Portugal Uncut

5 coisas que precisas de saber sobre o défice

1. Défice não é o mesmo que despesa pública

O défice é a diferença entre a despesa pública (quantia gasta pelo Governo) e a receita fiscal (a quantia proveniente de impostos). Assim sendo, a despesa pública não é a única coisa que interessa: se a receita fiscal diminui, o défice aumenta. Esta é uma das razões porque a evasão fiscal é tão prejudicial para a economia.

2. O défice aumentou por causa da crise financeira e da recessão que se lhe seguiu

Desde 1995 até 2007, o défice público médio de Portugal foi de 3,6% do PIB; de 2008 a 2010, em plena crise financeira, este valor subiu para 7,9% do PIB. A crise financeira e a recessão fizeram com que a receita fiscal diminuísse (as empresas tiveram lucros menores e por isso pagaram menos impostos) e com que a despesa pública subisse (o desemprego aumentou e por isso aumentaram as prestações sociais).

3. Cortar nas despesas públicas leva a uma diminuição da receita fiscal

Cortar nas despesas públicas lança para o desemprego os trabalhadores do sector público. Isto significa que deixarão de pagar impostos ou de consumir no comércio e negócios locais, o que leva a um agravamento da recessão. Portanto, cortar no sector público tem um efeito reflexo no sector privado – e o resultado é que o Governo recolhe menos dos impostos que poderiam ajudar a diminuir o défice.

4. Cortes na despesa podem levar ao aumento da despesa pública

Sim, percebeste bem. Os Governos pode optar por fazer cortes em instituições de apoio a crianças ou idosos, por exemplo. Mas ao colocar as pessoas na dependência de subsídios que façam face a estas carências, estes cortes aumentam a despesa alocada a subsídios de desemprego, etc. Esta despesa é determinada em larga medida pelo estado da economia e não por objectivos orçamentais. Em vez de pagar às pessoas para produzirem serviços públicos úteis, o Governo acaba por gastar mais em prestações sociais.

5. O crescimento da economia pode diminuir o défice

Em última análise, precisamos de crescimento económico para fazer diminuir o défice. Não de um crescimento autofágico, predador e autodestrutivo mas de um crescimento verde, sustentável e respeitador dos limites do planeta e da dignidade do trabalho, das pessoas. De outro modo ficamos presos a um sistema económico sem futuro e a um ciclo vicioso, com mais cortes a conduzir a menos receita fiscal, e ao empobrecimento das populações, e maiores despesas em prestações sociais – o que, por sua vez, leva a mais cortes. Neste momento, a procura na economia é incipiente e os investidores não estão com vontade de investir; a única forma de romper este ciclo é ter o Governo a preencher este espaço, investindo em vez de cortar.

Tradução adaptada de Sandra Paiva.

Dados relativos ao défice público de Portugal entre 1995 e 2010 retirados do portal Pordata.

Documento original - 5 things you need to know about the deficit, False Economy.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Citações ... em Portugal!


Do Blog Entre as brumas da memória, de Joana Lopes, aqui

«A crise que vivemos é particularmente difícil de engolir porque não estamos a fazer sacrifícios em nome de nada. Não estamos a construir nada. Não estamos a investir em nada. Estamos apenas a pagar a agiotas e a repor desfalques.
O mínimo dos mínimos que podemos fazer é evitar que isto se repita. Podemos e devemos gritar na rua. Devemos exigir auditorias, a renegociação da dívida e fazer pressão sobre a União Europeia. Mas não nos podemos esquecer de adoptar uma causa qualquer, por pequena que seja, que garanta que esta indignidade não se repete. Uma das coisas que queremos certamente é transparência nas contas e na acção de quem fiscaliza as contas e responsabilização. Já que temos de pagar, paguemos para ver.»
José Vítor Malheiros, Pagar para ver (Público 18/10/2011, sem link)

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«Na entrevista de ontem, o ministro das finanças Vítor Gaspar fez-me lembrar um jogador de casino. Daqueles jogadores que, em desespero de causa, sentem um impulso súbito, uma espécie de intuição, um feeling. Começando a suspeitar que há qualquer coisa de errado nas perdas que foi somando (ao distribuir metodicamente, por várias jogadas, as fichas de que dispunha e dando assim conta que foi ficando cada vez com menos), decide subitamente apostar tudo, de uma só vez, no mesmo número de sempre. Confiando, portanto, que esse golpe de asa lhe trará o resultado mágico que ambiciona. Esperando que ventos de sorte o bafejem.»
Nuno Serra, Gaspar no casino

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«O único dos "25 mais ricos" que pagará a crise é o mais rico deles, o trabalhador Américo Amorim, que irá esfalfar-se mais meia hora por dia sem remuneração (por isso me pareceu vê-lo, de cartaz na mão, no meio dos "indignados"). Felizmente emprega na sua Corticeira 3 300 outros trabalhadores, que irão dar-lhe 1 650 horas diárias de trabalho gratuito, equivalentes a 206 trabalhadores de borla. Poderá assim despedir 206 dos que não se contentam com ter trabalho e ainda querem salário.»
Manuel António Pina, Não havia novo Governo?