Do coração e outros corações

Do coração e outros corações

domingo, 27 de maio de 2012

Do Blog de Roberto Romano

Artigo excelente na Folha. Vale a pena ler! Se você vir um professor de economia depondo no Congresso ou escrevendo um artigo, há boas chances de ele ter sido pago por alguém com grande interesse no debate O problema da corrupção acadêmica hoje está tão entrincheirado que essas disciplinas e essas universidades importantes estão gravemente comprometidas Na academia, os comentários de economistas sobre a crise financeira vêm sendo bastante comedidos. Na maior parte do tempo, o silêncio é ensurdecedor Texto publicado originalmente no jornal britânico "The Guardian"

Índice geral São Paulo, domingo, 27 de maio de 2012Ilustrissima
Ilustrissima
Inédito
Silêncio ensurdecedor
A corrupção acadêmica e a crise financeira
RESUMO
A série de inéditos que a Folha adianta em primeira mão traz texto de Charles Ferguson, vencedor do Oscar de melhor documentário de 2010 por "Trabalho Interno". Em livro homônimo, recém-lançado no Reino Unido, ele aborda conflitos de interesses de acadêmicos com prometidos com governo e empresas privadas.
CHARLES FERGUSON
TRADUÇÃO CLARA ALLAIN
MUITAS PESSOAS QUE viram meu documentário "Trabalho Interno" (2010) acharam que a parte mais perturbadora é a revelação sobre amplos conflitos de interesses em universidades e institutos de estudos e entre pesquisadores acadêmicos. Espectadores que assistiram às minhas entrevistas com eminentes professores universitários ficaram estarrecidos com o que saiu da boca deles.
Mas não deveríamos ter ficado surpresos. Nas duas últimas décadas, médicos já comprovaram de modo substancial a influência que o dinheiro pode exercer num campo supostamente objetivo e científico. De modo geral, as escolas de medicina e os periódicos médicos vêm reagindo bem, aderindo às exigências de transparência.
Os cursos de pós-graduação em economia, as faculdades de administração, as de direito e as de ciência política vêm reagindo de modo muito diferente. Nos últimos 30 anos, parcelas importantes do mundo acadêmico americano foram deterioradas, convertendo-se em atividades do tipo "pay to play" (pague para participar).
Hoje em dia, se você vir um célebre professor de economia depondo no Congresso ou escrevendo um artigo, são boas as chances de ele ou ela ter sido pago por alguém com grande interesse no que está em debate. Na maior parte das vezes esses professores não revelam esses conflitos de interesse. Além disso, na maior parte do tempo suas universidades se fazem de desentendidas.
Meia dúzia de firmas de consultoria, vários birôs de palestrantes e diversos grupos de lobby de setores diferentes mantêm grandes redes de acadêmicos de aluguel, com o objetivo de defender os interesses desses grupos em discussões sobre políticas e regulamentação.
Os principais setores envolvidos são energia, telecomunicações, saúde, agronegócio e, sem dúvida, o setor de serviços financeiros.
Alguns exemplos: o economista Glenn Hubbard virou reitor da Columbia Business School em 2004, pouco depois de deixar o governo George W. Bush (2001-09), no qual trabalhou no Departamento do Tesouro e foi o primeiro presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente, entre 2001 e 2003.
Boa parte de seu trabalho acadêmico é dedicado à política fiscal. Num resumo justo de suas posições intelectuais, pode-se dizer que ele jamais viu um imposto que tenha gostado de ver aprovado e em vigor. Em novembro de 2004, ele escreveu um artigo espantoso em coautoria com William C. Dudley, então economista-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs.
O artigo em questão, "Como os Mercados de Capitais Elevam a Performance Econômica e Facilitam a Geração de Empregos", merece ser citado. Vale lembrar que estamos em novembro de 2004, com a bolha já bem encaminhada:
"Os mercados de capital têm ajudado a tornar o mercado imobiliário menos volátil. 'Arrochos de crédito' do tipo que, periodicamente, fecharam a oferta de recursos aos compradores da casa própria [...] são coisas do passado."
Hubbard se negou a dizer se foi pago ou não para escrever o artigo. E se negou a me fornecer sua declaração mais recente de conflitos de interesse financeiros com o governo, documento que não pudemos obter de outra forma porque a Casa Branca o destruiu.
Hubbard recebeu US$ 100 mil para depor na defesa criminal dos dois gerentes do fundo hedge (de alto risco) Bear Stearns, processados por envolvimento com a bolha; eles foram absolvidos. No ano passado, Hubbard se tornou assessor econômico sênior da campanha presidencial de Mitt Romney, o pré-candidato republicano à Presidência dos EUA.
RABO PRESO Outro economista, Larry Summers, já ocupou quase todos os cargos governamentais importantes na área econômica. Secretário do Tesouro sob o presidente Bill Clinton (1993-2001), em 2009 ele se tornou diretor do Conselho Econômico Nacional na administração Barack Obama.
Embora seja sensato em relação a muitas questões, Summers cometeu uma sucessão bem documentada de erros e concessões. E seus pontos de vista sobre o setor financeiro dificilmente seriam distinguidos dos de, digamos, Lloyd Blankfein (chefe do Goldman Sachs) ou Jamie Dimon (presidente do banco JPMorgan).
A maior parte de nossas informações sobre Summers vem de sua declaração obrigatória de conflitos de interesse, exigida pelo governo. De acordo com a declaração dada em 2009 por Summers, sua fortuna líquida estava calculada entre US$ 17 milhões e US$ 39 milhões. Seus recebimentos totais no ano antes de ingressar no governo chegaram a quase US$ 8 milhões. O Goldman Sachs pagou a Summers US$ 135 mil por um discurso.
Larry Summers é um homem com o rabo preso, que deve a maior parte de sua fortuna e boa parte de seu sucesso político à indústria de serviços financeiros e que esteve envolvido em algumas das decisões de política econômica mais desastrosas da última metade de século. Na administração Obama, Summers se opôs à adoção de medidas fortes para punir banqueiros ou limitar a receita deles.
A universidade de Harvard ainda não exige que Larry Summers divulgue seus envolvimentos com o setor financeiro. Tanto Harvard quanto Summers negaram meus pedidos de informação.
O problema da corrupção acadêmica hoje está tão profundamente entrincheirado que essas disciplinas e essas universidades importantes estão gravemente comprometidas, e qualquer pessoa que pensasse em se opor à tendência ficaria racionalmente muito assustada.
COMEDIMENTO Considere a seguinte situação: você é estudante de doutorado ou um membro júnior do corpo docente que estuda a possibilidade de fazer pesquisas sobre, digamos, as estruturas de pagamento aos profissionais que assumem riscos nos serviços financeiros, ou sobre o impacto potencial das exigências de divulgação pública de informações sobre o mercado de "credit default swaps" -instrumentos financeiros que funciona como um seguro contra calotes. O reitor de sua universidade é... Larry Summers. O chefe de seu departamento é... Glenn Hubbard.
Ou você está no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e quer estudar o declínio dos pagamentos de impostos de pessoas jurídicas. A reitora do MIT é Susan Hockfield, que faz parte do conselho de direção da General Electric, uma empresa que vem conseguindo evitar o pagamento de quase todos os impostos corporativos há vários anos.
Até que ponto essas forças de fato afetam as pesquisas acadêmicas e as políticas das universidades? As evidências das quais dispomos sugerem que o efeito é grande.
Os comentários sobre a crise financeira proferidos por economistas na academia têm sido bastante comedidos. É verdade que existem algumas exceções notáveis. Na maior parte do tempo, porém, o silêncio tem sido ensurdecedor.
Como é possível que um setor inteiro seja estruturado de modo que funcionários sejam encorajados a saquear e destruir suas próprias firmas? Por que a desregulamentação e a teoria econômica fracassaram tão espetacularmente?
O lançamento do documentário "Trabalho Interno" claramente mexeu com sensibilidades que foram tocadas por essas questões. Fui contatado por estudantes e docentes em grande número, e houve debates em grande número.
Algumas escolas, incluindo a Columbia Business School, adotaram exigências de divulgação de informações pela primeira vez.
Mas a maioria das universidades ainda não faz essas exigências, e poucas ou nenhuma impõem qualquer limitação à existência de conflitos de interesse. O mesmo se aplica à maioria das publicações acadêmicas.
Repórteres de jornais são proibidos terminantemente de aceitar dinheiro de qualquer setor econômico ou organização sobre o qual escrevam matérias. O mesmo não acontece no mundo acadêmico.
Houve um avanço positivo importante. No início deste ano, a Associação Americana de Economia passou a exigir uma declaração de conflitos de interesse para os sete periódicos que edita.
Mas a maioria das instituições ainda se opõe à divulgação de mais informações, e, quando eu estava fazendo meu filme, se negou até mesmo a tratar do assunto.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Nós somos teus (sic), Cachoeira


De Roberto Romano:
CPI do Cachoeira é 'trampolim político' para eleições municipais
22 de maio de 2012



A comissão investiga as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados em um esquema voltado não só a jogos ilegais, mas também a corrupção e tráfico de influência
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

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Mauricio Tonetto



Os interesses em ganhos políticos oriundos de uma boa atuação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira vão influenciar as eleições municipais de outubro deste ano, conforme analistas ouvidos pelo Terra, que afirmaram que a comissão serve como "trampolim político" e é "referência em palanques eleitorais". Por outro lado, alguns integrantes da CPI discordam e entendem que o pleito majoritário passa à margem dos desdobramentos no Congresso. A comissão investiga as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados em um esquema voltado não só a jogos ilegais, mas também a corrupção e tráfico de influência.






"A intenção de todos na CPI é aumentar o capital político. Caso contrário, eles não entrariam. O problema é que a comissão é uma espécie de trampolim político, que pode quebrar e se transformar num desastre, conforme a atuação da pessoa. Se ela for séria, agressiva, transparente e respeitosa, pode contar muito para o eleitorado. Mas se faz papel de vingador, é um tiro que sai pela culatra", afirmou Roberto Romano, professor de Ética e cientista político da Unicamp.



Para o cientista político da Universidade Federal Fluminense (UFF) Marcus Ianoni, é legítimo que as siglas busquem se fortalecer com a CPI do Cachoeira. "Uma boa forma do partido fazer um trabalho eleitoral positivo é ir bem na CPI, pois ela será uma referência no palanque. É legítimo que todo parlamentar busque trabalhar bem e tenha seu nome em evidência, recebendo o benefício nas urnas".



Lucros partidários


O professor de Ciências Políticas da Unicamp Valeriano Costa salienta que os eleitores costumam votar nos candidatos, e não nas legendas. Por isso, ele acha que postulantes a prefeito e vereador podem se vincular durante a campanha a membros destacados da CPI para obter lucros. "Principalmente os de Brasília e Goiás, devido ao envolvimento de políticos locais com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. A identificação com nomes serve para o bem e para o mal", ressaltou.

"Do ponto de vista do interesse e da importância nas eleições, é evidente que a CPI terá grande relevância na decisão dos eleitores. Os partidos sabem disso, sobretudo os hegemônicos da aliança governista, caso do PT e PMDB, e os da oposição, especialmente o PSDB", completou Roberto Romano.



Influência zero


Os integrantes da CPI discordam das opiniões dos analistas e argumentam que as eleições passam longe do trabalho da comissão. "Influência zero. A CPI não tem relação com as eleições municipais, pois elas mexem com o cotidiano das pessoas, a vida nas cidades. A CPI é uma questão nacional", afirmou o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Segundo ele, nenhum político vai se beneficiar com a investigação. "Só acredita nisso quem nunca disputou eleição municipal. O cidadão quer saber da vida dele e não está nem aí para o resto. Ele quer falar do posto de saúde, da passagem de ônibus, da sua rua", completou.



O deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ), que participa da CPI na condição de líder, lembra que em outras campanhas municipais já ocorreram situações semelhantes e ressalta que um possível julgamento do mensalão poderia ter um papel mais determinante na eleição. "Como os principais suspeitos não são candidatos, acho que não chega a contaminar as siglas nesse sentido. O mensalão, por exemplo, influencia mais", disse.



Para o ex-líder do PT na Câmara Cândido Vaccarezza (PT-SP), o que está em jogo nesta CPI "são as pessoas, e não os partidos". "Eu não acredito que algum partido sairá manchado, e sim os indivíduos. Nós não queremos fazer espetáculo, mas uma investigação séria. O Brasil está cansado de ver espetáculos, todos vão se beneficiar com essa CPI", argumentou.



Carlinhos Cachoeira


Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.



Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.


Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir ouros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.


Roberto Romano escreveu depois de ter lido essa linda coisa: Não, o imbecil não veio de Marte. Foi expulso de uma caverna, e já passaram milhares de anos. Deveria ser posto num museu da humanidade extinta. E o que sujeito faz em sua casa? Manda na mulher, nos filhos, com base no cacete? É provável, muito provável.

E de fato, se os machões tivessem vindo de Marte seria fácil. Eles sãod aqui mesmo!
 
Índice geral São Paulo, quarta-feira, 23 de maio de 2012Cotidiano
Cotidiano



Homem reclama de piloto mulher e é expulso de avião

Ao avistar a comandante, ele disse que não viajaria em voo que saía de Minas

Homem acabou vaiado pelos passageiros e retirado da aeronave da Trip, em Confins, pela Polícia Federal
ANDRÉ MONTEIRO
NATÁLIA CANCIAN
DE SÃO PAULO Um passageiro foi expulso de um voo da companhia Trip Linhas Aéreas após dizer que não voaria com uma mulher pilotando o avião. O caso ocorreu na noite de sexta no aeroporto Tancredo Neves, em Confins, região metropolitana de Belo Horizonte.

A confusão começou no momento do embarque no voo 5348, quando o passageiro, que não teve o nome divulgado, avistou a comandante e disse para a tripulação que se recusava a viajar em voos comandados por mulheres.

A comandante então chamou a Polícia Federal e pediu que o passageiro saísse do avião. Segundo a empresa, ela "convidou educadamente esse senhor a sair da aeronave".

"Mas ele disse que não iria sair", conta o jornalista Paulo César de Oliveira, 66, que estava no avião. "Atrasamos mais ou menos uma hora por conta desse rapaz, de uns 40 anos. Ele saiu sorridente. E levou uma vaia", disse.

"Após o tumulto causado, a Polícia Federal escoltou o passageiro para as dependências do aeroporto e a companhia seguiu com a programação normal", afirmou a Trip, em nota.

A PF não soube informar se ele foi colocado em outro voo em seguida ou se sofreu alguma sanção após o comentário contra a comandante.

'PASSAGEIRO DE MARTE'

O Embraer 190, que partiria às 20h59, decolou para Palmas, com escala em Goiânia, com atraso de uma hora. Quando o tumulto começou, já havia um atraso de 15 minutos.

A Trip disse que todas as suas funcionárias "são devidamente treinadas e qualificadas para desempenhar suas funções" e que "não tolera comentários ou atitudes preconceituosas que constranjam seus funcionários ou passageiros, sob qualquer justificativa".

A empresa não revelou o nome da comandante.

O presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Gelson Fochesato, lamentou o ocorrido. "Temos mulheres pilotas há mais de 40 anos. Nunca houve nenhum tipo de discriminação ou questionamento a respeito disso. Esse passageiro chegou de Marte ontem e não sabe o que está fazendo. Nós repudiamos essa postura e incentivamos que mulheres venham a somar na aviação brasileira", afirma.

Segundo Fochesato, ao menos cem mulheres atuam como comandantes de voos no Brasil. "É um número relativamente alto e que tem crescido cada vez mais."
Enviado pelo amigo Grozny.
Grata!
por Ricardo Noblat - 21.5.12

Mafiosos


Intrigante! Ou não é?


O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), membro da CPI do Cachoeira, usou o celular para mandar uma mensagem ao governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) onde dizia: "A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu (sic)”.


Ora, com o quê mesmo Cabral deveria se preocupar? E porquê?



Cabral não é personagem relevante nem sequer marginal do objeto que a CPI se oferece para investigar: eventuais práticas criminosas desvendadas pelas operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, com o envolvimento do bicheiro Carlinhos Cachoeira e de agentes públicos ou privados.


Políticos a mancheia, entre eles os governadores de Goiás e do Tocantins e auxiliares do governador do Distrito Federal são citados nos milhares de telefonemas trocados por Cachoeira com integrantes de sua quadrilha, e grampeados pela Polícia Federal.



E Cabral? Não. Cabral não é citado.


Resta farto material apreendido pela polícia na casa de Cachoeira e de outros que ainda está sendo periciado antes de ir ou não parar no Supremo Tribunal Federal – e dali na CPI.


A respeito de tal material ainda não se pode dizer nada. Mas naquele de posse da CPI não há uma única referência direta nem indireta ao governador do Rio.


De volta, pois, à intrigante pergunta que suplica por uma resposta: com o quê mesmo Cabral não deveria se preocupar se ele “é nosso” (ou seja: do PT de Vacarezza) e se “nós” (o PT de Vaccarezza) é dele?




O uso do “nosso” e originalmente do “teu” denuncia uma relação de cumplicidade e de proteção mútua entre o PT e Cabral.



Pode até azedar, como antecipa Vaccarezza, a relação do PT com o PMDB, o partido de Cabral. Mas Cabral não deve se preocupar.



A frase construída pelo ex-líder do PT na Câmara é de deixar a máfia siciliana com inveja. Por que ela não a imaginou antes? E por que não a incorporou aos ritos secretos de admissão de novos mafiosos?



Provocado a decifrar a mensagem enviada a Cabral, Vaccarezza não o fez. Escapou: “Sou amigo do PMDB. Nossas relações nunca serão azedadas”.



A mensagem teria sido escrita “num momento de irritação” de Vaccarezza com o PMDB.


Irritação porquê? Vaccarezza não diz. Só garante que ninguém será blindado pela CPI. Você acredita?


Bem, anote aí por que Vaccarezza estava irritado com o PMDB quando se correspondeu com Cabral: o partido resistiu aos apelos de Lula para forçar a mão e comprometer a VEJA com os crimes de Cachoeira.



Por anos, Cachoeira foi informante da VEJA. Lula acusa a revista de ter deflagrado alguns dos escândalos que atingiram seu governo.



Anote aí o que de fato preocupa Cabral e o leva a pedir proteção: uma investigação ampla dos negócios da empreiteira Delta do seu compadre e parceiro de luxuosas viagens ao exterior, Fernando Cavendish.


Cabral é padrinho das filhas gêmeas dele. Cavendish anda ameaçando entregar os podres de políticos e de partidos que financiou.



O mineiro Marcos Valério, um dos cérebros do mensalão, ameaçou contar o que sabia se fosse depor na CPI dos Correios. Depôs e não contou.



Retomou a ameaça ao notar que começara a ficar sem dinheiro. Cabeças estreladas do PT pediram a Lula que o socorresse.



Desconheço o que aconteceu, mas Marcos Valério não ficou sem dinheiro.



Cavendish não corre o risco de passar aperto.


No ano passado, apesar da receita da Delta ter caído apenas 10%, de R$ 3 bilhões para R$ 2,7 bilhões, o lucro despencou 85,5%,de R$ 220,3 milhões para R$ 32 milhões.



Um dos motivos foi o aumento do pagamento de dividendos a acionistas, que subiu de R$ 13 milhões para R$ 64 milhões.



Esperto Cavendish, não?



Junto dele, Cabral é um bobo, um bobão.



Tudo bem: extraiu vantagens da companhia generosa de Cavendish, o sedutor de nove entre dez políticos à cata de dinheiro para pagar dívidas de campanhas ou se eleger.



Agora, a popularidade de Cabral caiu. Menos do que ele calculou. Seu futuro político tornou-se opaco.

Algo tem que ser feito para que tudo fique na mesma...

E quem quiser que conte outra!

Ontem dia histórico no Braziu. Uma CPI com o presidente de muitos senadores e deputados, Carlos Cachoeira. Um homem que presidiu o Braziu nos bastidores, e é claro, tem um advogado à altura de seu Estado (com E maiúsculo), e muito gente amarrada com cachoeiras de dim dim. Os senadores da Comissão espernearam como crianças. Xingaram, mas não argumentaram. E o Cachoeira, rei, rei das muambas políticas, ficou lá, rindo ao lado de seu ilustre advogado, outrora, um homem de Estado, ministro. Braziu!

Quem dera todas as Universidades se preocupassem com as nossas famílias inter-espécies...


DO BLOG DE ROBERTO ROMANO

Livro vai mostrar as aves que vivem no campus da Unicamp

22/05/2012 - 16:10

  • Texto
Luiz Sugimoto

    Imagens
Antoninho Perri/Divulgação

  • Edição de Imagens
Everaldo Silva

Pesquisadores do Laboratório de Bioacústica, do Departamento de Biologia Animal do IB, estão preparando o livro Aves do Campus da Unicamp e Arredores, contendo informações, imagens e sons de mais de 150 espécies que vivem na área, concretizando uma ideia que era guardada há mais de 20 anos. Estão previstos três mil exemplares e o lançamento em outubro, quando se celebra o Dia da Ave e também a fundação da Universidade. A obra, que terá cerca de 300 páginas, é assinada por seis autores: Milena Corbo, Arthur Macarrão, Giulia B. D’Angelo, Carlos Henrique Almeida, Wesley Rodrigues Silva e Ivan Sazima.

Segundo a pesquisadora Milena Corbo, o livro terá duas partes, a primeira de pranchas com fotos das aves e informações como nome popular e nome científico, tamanho, dicas para identificação, dimorfismo sexual (diferenças entre macho e fêmea), habitats (aquático, matas, áreas abertas) e alimentação. “A outra parte é de história natural, um diferencial que este livro traz, além de um CD com cerda de 80 sons e chamados produzidos pelas aves e reunidos junto a autores, colaboradores e Fonoteca Neotropical Jacques Vielliard.”

Entre as pranchas publicadas no livro, o leitor vai saber que o irerê (Dendrocygna viduata) mede 44 centímetros e não apresenta dimorfismo sexual, e que o tucano-toco ou tucunaçu (Ramphastos toco) não inclui apenas frutos, mas também ovos e filhotes de aves na alimentação. E, na parte de história natural, que o filhote de coruja-buraqueira (Athene cunicularia) brinca destroçando pedaços de pau ao mesmo tempo em que treina como manipular futuras presas, enquanto o socozinho (Butorides striata) não come o pão jogado por visitantes do Parque Ecológico, mas utiliza pedaços dele para atrair peixes na lagoa.


Ivan Sazima recorda que outras universidades produziram guias de aves em seus campi, como a USP (a pioneira, com ilustrações em aquarela ou guaches) e a Unesp de Rio Claro. “Os outros guias, em geral, identificam as aves e, por vezes, abordam ninho, filhotes e ovos. Mas não existe livro como este, que traz a história natural, mostrando o quê comem, como comem, como fazem o ninho ou cortejam seu par, como cuidam das penas, enfim, o dia-a-dia das aves. Vamos ser pioneiros nisso.”


O professor do IB concorda com a observação de que vem aumentando a quantidade de aves no campus da Unicamp, o que significa que continuam perdendo terreno em seu ambiente natural. “E elas estão se dando bem. O recado que queremos dar com este livro é que o campus e os arredores servem de refúgio para a fauna silvestre, que aqui se alimenta e cria seus filhotes. A comunidade entende que não deve perturbá-las e a Universidade pode contribuir plantando árvores frutíferas e preservando o que já existe, como os ninhos de corujas-buraqueiras que estão por todos os pontos.”


terça-feira, 22 de maio de 2012

Ladrões de pobres...

 

do Blog de Roberto Romano

Operações flagram fazendas e fábricas desviando água durante estiagem no Nordeste

 

Carlos Madeiro
Do UOL, em Maceió



Operações realizadas em pelo menos três Estados do Nordeste --Bahia, Pernambuco e Sergipe-- apontam que parte da água que deveria ser destinada a abastecimento dos sertanejos durante a seca está ou estava sendo furtada por fazendas e fábricas no sertão dos Estados. Em vez de abastecer a população, a água desviada servia para cultivar hortaliças ou até para fabricação de gesso.
Nas últimas semanas, ações realizadas em áreas às margens de rios, barragens e adutoras flagraram vários casos de desvio da água, o que, segundo as companhias de saneamento, prejudica ainda mais o abastecimento das cidades em situação de emergência pela estiagem.

Veja imagens da seca no Nordeste

Foto 58 de 70 - Flagrante feito no dia 9 de maio na cidade de Exu, no sertão pernambucano, mostra que água desviada de abastecimento era usada para irrigar hortaliças; operações durante a estiagem no Nordeste têm encontrado a irregularidade em fábricas e fazendas Divulgação
Em Pernambuco, onde 90 cidades já decretaram emergência pela seca, os flagrantes estão sendo feitos pela Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento) com apoio da Polícia Militar. As operações, que começaram no último dia 8 e vão durar três meses, tentam acabar com as ligações clandestinas na região abastecida pela adutora do Oeste.
A adutora é responsável pelo abastecimento de 13 municípios (todos em situação de emergência) e 24 distritos no sertão pernambucano. Ao todo, 270 mil pessoas são abastecidas pelo sistema e sofrem com racionamentos pela falta de chuva.
Segundo a companhia, no primeiro trecho alvo da operação --com 200 km de extensão-- são produzidos 480 litros de água por segundo. Desse total, 80 litros por segundo estavam sendo desviados. A quantidade, segundo a empresa, era suficiente para abastecer a cidade de Ouricuri, por exemplo, que tem 64 mil habitantes. As operações vão se estender por toda a extensão da adutora.
Após um sobrevoo de helicóptero e marcação de pontos possíveis de furto da água, policiais e técnicos da companhia começaram a visitar as localidades suspeitas e, desde lá, encontraram vários casos de furto de água.
O caso mais significativo ocorreu na última terça-feira (15), quando duas fábricas entre os municípios de Ipubi e Ouricuri foram flagradas desviando água da adutora para confecção de placas de gesso. No local visitado estavam dezenas de placas de gesso recém-fabricadas e prontas para a venda. Os proprietários não estavam no local no momento da operação.
Também em Ouricuri foram localizados três tanques com capacidade de criação de mais de 50 mil peixes. Além disso, caminhões-pipa estavam sendo abastecidos com água da adutora. Em Parnamirim, foram flagradas fazendas que possuíam ligações clandestinas e irrigavam plantações de feijão. Já em Exu, outro flagrante encontrou hortaliças sendo irrigadas com a água furtada.
Na Bahia, onde mais de 240 municípios já decretaram situação de emergência pela estiagem, operações estão sendo realizadas desde a segunda quinzena de abril para flagrar o uso indevido da água em bacias de rios no Estado. Por conta da seca, o governo suspendeu todas as outorgas de direito para captação da água para fins comerciais (como a irrigação).
Operações policiais já realizaram várias apreensões de proprietários de terrenos que captavam água irregularmente em rios e barragens. As ações aconteceram no rio da Prata e no rio e nas barragens Água Fria 1 e 2. Outras regiões nos municípios de Várzea do Poço, Várzea da Roça e São José do Jacuípe também estão sendo fiscalizadas.
Às margens do rio da Prata --responsável pelo abastecimento de 40% da cidade de Seabra--, por exemplo, a polícia apreendeu seis bombas e desobstruiu duas barragens. Uma retroescavadeira, que realizava operação ilegal no rio campestre, foi apreendida. Quatro proprietários de terra foram notificados. Em Vitória da Conquista, três bombas foram apreendidas e dois barramentos foram destruídos durante operações.
“Aqui estamos em busca daqueles proprietários que estão clandestinos, captando água sem outorga. Vários casos irregulares já foram encontrados pelas operações. Mas por conta da seca, foi necessária a suspensão de fornecimento até de quem estava regular, para garantirmos a água para abastecimento humano, que é a prioridade”, explicou o coordenador-executivo da Defesa Civil da Bahia, Salvador Brito.
Em Sergipe, que contabiliza 18 municípios em emergência, a Deso (Companhia de Saneamento de Sergipe) informou ao UOL que conta com o apoio da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual para combater as ligações irregulares.
A companhia afirmou que, desde 2011, municípios do semiárido foram alvo de operações, que flagraram uso não autorizado da água e outras irregularidades na captação.
Segundo a Deso, todos os proprietários flagrados desviando água estão respondendo criminalmente pelo furto. Ainda segundo a companhia, o abastecimento de água é afetado pelas fraudes, que causam “problemas como vazamentos ou ainda a perda de pressão na rede, o que provoca falta de água em áreas mais distantes ou situadas em ponto altos”.
"Lo característico de la vida actual no son la inseguridad y la crueldad, sino el desasosiego y la pobreza."
George Orwell. Do facebook Taller filosofico sociologico

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Teoria da violência

O Capitão Nascimento nas mãos de Robespierre: a violência divina e o abismo do ato político

Revista Zagaia




A proposta deste texto é confrontar dois conjuntos heterogêneos de fragmentos: alguns extraídos daquilo que chamaremos de “teoria da violência” do filósofo esloveno Slavoj Žižek, outros do filme Tropa de Elite, de José Padilha (2007). Quanto à teoria da violência de Žižek, ela própria aparece de modo fragmentado e controverso ao longo da obra do filósofo, assumindo diferentes nuances em cada contexto, conforme se aproxime mais da teoria do ato ético em Hegel e Lacan ou da teoria do ato político em Marx e Walter Benjamin. Nesse sentido, seria equivocado tomá-la como uma teoria coesa. Nossa tese é, justamente, de que o filme Tropa de Elite reúne e dissolve a violência em uma teoria unitária, sendo este seu principal risco ideológico. Por outro lado, lido como uma espécie de exagero aplicado da teoria žižekiana da violência, o filme nos permite iluminar os riscos necessários e inerentes às teorias da violência, quer pela unificação de seu objeto (como advogamos na recente análise do filme Em um Mundo Melhor, de Susane Bier[1]), quer pelo circunstanciamento que elas produzem do campo político, como queremos discutir agora.

No que diz respeito ao filme, não pretendemos submetê-lo a uma análise sistemática nem quanto ao conteúdo e nem quanto à forma. Tencionamos tão somente tomar alguns de seus fragmentos narrativos e formais para colocar em questão as estratégias discursivas por meio das quais é posta em cena uma discussão a respeito da violência. Destacamos, dessa maneira, a função do narrador, cuja voz é acessível ao espectador, como se este fosse leitor de seus atos mentais, e o elemento temático da escolha ao qual o personagem central, Capitão Nascimento, está recorrentemente convocado, seja pela escolha de seu sucessor, seja pela lógica da escolha de sobreviventes, pela qual a situação é apresentada.

José Padilha nunca deixou de apresentar seu filme sob a alçada de um projeto que se pretende crítico.[2] Quanto a isso, basta lembrar a frase que abre o filme, uma citação de Stanley Milgran, que aparece antes da entrada da música de abertura: “A psicologia social deste século nos ensinou uma importante lição: usualmente não é o caráter de uma pessoa que determina como ela age, mas sim a situação na qual ela se encontra”. Lembremos aqui que o famoso experimento de Milgran, realizado no pós guerra, consistia em expor pessoas ingenuamente recrutadas para um experimento científico à situação na qual elas, sob as ordens de um cientista paramentado como tal, deviam acionar um botão, que elevava progressivamente a intensidade de choques elétricos supostamente aplicados a um ator. A idéia é simples e mimetiza a situação na qual alguém deve obedecer a ordens que impingem violência ao outro. O sujeito experimental via outro ser humano, amarrado a uma cadeira, experimentar a dor visceral gerada pelos supostos choques elétricos. O sofrimento induzido por seu ato podia ter sua responsabilidade transferida para o cientista, que afinal simplesmente pedia que a dose do choque fosse aumentada. O “homem comum” facilmente se identificava com este lugar de “suporte e executor da lei”, chegando, na maioria dos casos, a impingir voltagens letais (indicada no aparato que estava sob seu controle). Em outras palavras, Milgran provou que a barbárie dos campos de extermínio não era obra de um súbito enlouquecimento individualmente patológico, mas que, sob certas condições, a autoridade constituída e nossa servidão voluntária, podem levar “qualquer um” a fazer pior.

Esse é um ponto central no filme de Padilha. Capitão Nascimento não é “qualquer um”, pela forma pessoal com a qual se envolve em sua tarefa, mas por outro lado ele é exatamente como “qualquer um”, que identificando-se à figura do justiceiro, acaba gozando com a suspensão da lei, para melhor atingir os objetivos da lei. Lembremos que Walter Benjamin introduz a figura da violência divina para romper a dicotomia opressiva entre as duas formas modernas de incidência da violência: a violência que preserva a lei e a violência que faz a lei. Ou seja, Benjamin está às voltas com o problema do monopólio da violência pelo Estado, que institui a violência na chave fechada da relação entre meios e fins. A lei, assim constituída, e assim reduzida, torna-se uma instituição patológica, incapaz de atender ao apelo ético por justiça e passa a servir apenas para incitar o sentimento de segurança e inversamente monopolizar a administração social do medo. Como observou Axel Honneth, a violência divina suspende a violência administrada, ao introduzir uma indeterminação entre meios e fins. Ela se torna um meio expressivo, não baseado em finalidade exterior, daí que seja violência pura, cujo efeito seria educativo – mostrar que não se deve pensar a violência no círculo fechado da vingança, da administração social, da domesticação de sentimentos e desejos. Portanto há uma recepção do filme que claramente exemplifica o cultivo da violência administrada ao modo da crítica de Benjamin e do experimento de Milgran: nos identificamos com esta figura excepcional, dentro e fora da lei, que é o Capitão Nascimento, para melhor gozar da irresponsabilidade de ser apenas suporte da lei (como qualquer um), sem ter que pagar o preço pelos riscos de suspender a lei (em um ato excepcional). Exemplo da violência impura.

No entanto, é peculiar o modo como Padilha se apropria dessa ideia. Tudo se passa como se o que o diretor colocasse em jogo não fosse além do que o contexto mais imediato possível de ação, deixando de colocar em questão de modo mais abrangente as coordenadas simbólicas que impõe seus horizontes possíveis para além de si mesmos. Isso se passa mesmo quando Padilha realiza, com Tropa de Elite II, uma inversão que busca situar a discussão no campo da política mais do que no da ética, tal como se privilegia no primeiro da série. É, aliás, precisamente nessa inversão, ou seja, ao situar “as verdadeiras raízes” do problema da violência urbana carioca na corrupção “do sistema”, que o filme perpetra de modo mais acentuado um discurso que naturaliza a violência policial, tomada como solução do problema não fosse a corrupção do dito sistema. Como afirma Vladimir Safatle em um artigo sobre o filme:

As ações violentas, as torturas sistemáticas contra “vagabundos”, a compreensão das favelas como território de guerra, as balas perdidas, a humilhação cotidiana contra uma população que vê o Estado e seu aparato policial como inimigos: nada disso explicaria por que a polícia que mais mata no mundo nunca conseguiu vencer a luta contra o crime. Na verdade, se o método truculento ainda não deu certo, isto seria resultado exclusivo da corrupção generalizada.[3]

O subtítulo de Tropa de Elite II – “o inimigo agora é outro” -, merece, portanto, nossa maior atenção, já que, na lógica de guerra civil adotada pelo filme, o inimigo nunca deixou de ser o outro. O problema aqui é que o “campo fechado” nos quais as escolhas éticas e as decisões políticas devem ser tomadas apenas cresceu e se ampliou (incluindo o sistema), ele não mudou a sua razão de constituição. Continuando a ser percebido como uma totalidade fechada, e agora ainda mais asfixiante pelo incremento de sua extensão, acentua-se a oposição entre dentro e fora, entre participar da mesma coisa, das regras do jogo político, midiático, institucional ou estar fora da lei e assumir a “livre iniciativa” representada pela vida de crimes e corrupções. Ora, se lermos o filme apenas como a dissolução desta fronteira, de tal forma a encontrarmos “ordem na violência criminosa” e “violência da na ordem legal”, mantemo-nos prisioneiros da violência administrada. Isso identificaria a totalidade do campo político com a totalidade do campo da violência.

Mas isso é dizer pouco. Para introduzir uma contra-leitura temos que nos separar um pouco das teses do filme e atentar para seus traços formais e construtivos. O mais saliente deles é o uso do narrador em primeira pessoa.

Não deixa de ser interessante notar que Tropa de Elite, ao mostrar de modo razoavelmente cru e verossímil a violência policial, põe em cena o substrato obsceno que forma o suplemento necessário aos valores compartilhados de justiça, segurança pública e liberdade. Para ilustrar isso, basta evocar as inúmeras cenas de tortura. No entanto, ao inserir as vítimas dessa violência num discurso que as priva de qualquer humanidade, tomando-as como inumanas, tal violência perde seu caráter obsceno e passa a servir ao gozo de um espectador identificado com o executor. Afinal, embora pretenda “mostrar a forma pela qual nossas instituições policiais transformam quem tenta fazer parte delas”[4], numa perspectiva que afirma que a polícia “é o que é e faz o que faz por causa da sociedade que a moldou”[5], Tropa de Elite acaba padecendo de um equívoco de método. Isso porque, como afirma o diretor, a perspectiva apresentada pelo filme é fundada numa pesquisa com policiais para entender seu ponto de vista, a fim de explicar como se forma um policial violento e como ele justifica para si mesmo a sua violência.[6] Ocorre que, com a narrativa em primeira pessoa, na voz do Capitão Nascimento, o diretor convoca o espectador a uma identificação com o protagonista, sendo aquele levado a compreender os pontos de vista e as ações deste, ficando qualquer crítica reduzida à estereotipia quando colocada na voz de personagens que, por mais bem intencionados que sejam, não estão na pele do nosso herói. Os exemplos mais claros disso são os antagonismos entre as ações do Capitão Nascimento e o discurso de Fraga, o romântico intelectual de esquerda.

As estratégias empregadas pelo filme que conduzem o espectador à identificação com o policial, que incluem a narrativa em primeira pessoa, nos conduzem à ilusão de sabermos, de forma transparente e acessível, as razões e motivos “por trás” dos atos do Capitão Nascimento. Esta empatia subjetiva foi duramente criticada porque atenuaria a violência com uma máscara de compreensão psicologista. É neste ponto em que temos supostamente o total controle identificatório de nosso personagem, assim como o cientista do experimento de Milgran tinha total controle dos sujeitos ingênuos, que precisamos encontrar a violência em segundo grau que isso representa. Ou seja, o efeito estético libertador, potencialmente presente no filme, baseia-se no que Žižek chamou de superidentificação. Uma identificação tão exagerada, tão perfeita, que radicaliza tão bem seus princípios, que é capaz de destruir as oposições que a tornaram possíveis. Ou seja, não é por falta de bons motivos e razões que Capitão Nascimento age como age, mas justamente os melhor motivos, aqueles com os quais “todo mundo concordaria”, são os piores. Com isso o filme poderia ter desestabilizado, e para alguns realmente desestabilizou, a narrativa dominante sobre a violência no Brasil. Novas formas de intervenção policial, menos truculentas, surgiram depois do filme. Mas em nenhum momento elas são sugeridas “didaticamente” ao gosto de uma pedagogia política por vezes presente no cinema nacional.

Mas se, do ponto de vista do sujeito, há este “esgotamento retórico” como efeito contingente do filme, quanto à desconstrução de nossa gramática da violência, do ponto de vista do objeto o filme é repleto daquilo que o teórico do cinema Michel Chion chamou de rendu, conceito que, segundo Slavoj Žižek, “é oposto ao simulacrum (imaginário) e ao código (simbólico) como uma terceira via de fazer realidade no cinema: nem por meio da imitação imaginária, nem por meio da representação simbolicamente codificada, mas por meio de sua ‘entrega’ imediata”[7]. Segundo Žižek, esse conceito remeteria fundamentalmente às técnicas contemporâneas de sonorização dos filmes, em que alguns detalhes sonoros são trazidos ao primeiro plano. Resultaria disso uma captura do espectador em nível de imediaticidade próprio ao registro do Real. Žižek observa que, ao assumir o primeiro plano, a trilha sonora passa a fornecer a perspectiva básica de continuidade do filme, ficando as imagens, juntamente com a narrativa, reduzidas a fragmentos flutuantes do universo sonoro. É o que acontece, por exemplo, quando, em pleno combate, Nascimento escuta, por telefone, as batidas do coração de seu futuro filho. Som que se sobrepõe a todos os outros e, distorcido, assume o primeiro plano, dando o espírito da cena, como se todo o resto não passasse de subprodutos. Estratégia perigosa no caso de Tropa de Elite, na medida em que qualquer reflexão a respeito da violência urbana fica relegada ainda com mais força ao segundo plano.

Devemos, então, compreender melhor, afinal de contas, de que se trata o ponto de vista do Capitão Nascimento a respeito da violência. Personagem cuja facilidade em reconhecer “vagabundos” e “bandidos” permite entrever uma lógica de redução do outro ao inumano, típica de regimes fascistas de experiência. Regimes cuja racionalidade é incapaz de reconhecer que “a capacidade de confrontação com o inumano é a condição maior para a regulação de toda e qualquer política que se queira ainda fiel a exigências gerais de emancipação”[8]. Percebamos como, apesar de sua frase de abertura, em nenhum momento o filme coloca em questão o verdadeiro estatuto daquelas pessoas que estão sendo chamadas de bandidos e vagabundos, lançando-as imediatamente ao inumano e, a partir daí, dando-as à tortura e à morte sem que isso represente uma questão de maior importância. Quanto a isso, Žižek nos lembraria da situação dos prisioneiros de Guantánamo:

(…) um dos argumentos para a aceitabilidade ético-legal do seu estado era de que “eles são aqueles que foram perdidos pelas bombas”: desde que foram o alvo do bombardeio dos EUA e acidentalmente sobrevivido, e uma vez que este ataque foi parte de uma operação militar legítima, não se pode condenar o seu destino quando foram feitos prisioneiros após o combate – qualquer que seja sua situação, é melhor, menos grave, do que estar morto… Este raciocínio diz mais do que pretende dizer: ele coloca o preso quase que literalmente na posição de morto-vivo, aqueles que de algum modo já estão mortos (seu direito de viver perdido por serem alvos legítimos de bombardeios assassinos), de modo que eles são agora casos do que Giorgio Agamben chama homo sacer, aquele que pode ser morto com impunidade já que, aos olhos da lei, sua vida não conta mais.

Estamos, portanto, num terreno onde a violência se funda na exclusão daqueles a quem ela se dirige do campo social de subjetivação. Estratégia cuja premissa fundamental é a naturalização do discurso que destitui de humanidade os seus inimigos, de modo que a violência, ela própria, não seja objeto de discussão e de crítica. Estratégia que vem sempre acompanhada por um cálculo onde a violência pode ser colocada a serviço da realização dos valores democráticos mais fundamentais, como a igualdade, a liberdade, os direitos humanos, a paz. São cenários como esse que fazem Žižek se pôr a falar sobre violência, assumindo toda a radicalidade daquilo que Alain Badiou chamou de “paixão do Real”: “se você disser A – igualdade, direitos humanos e liberdades – você não deve se esquivar de suas consequências e reunir a coragem de dizer B – o terror necessário para realmente defender e fazer valer o A.” O que exige a disposição de assumir, no campo social, as consequências de uma lógica que admite paradoxos, sem esquivar-se dos antagonismos que seriam a própria matéria prima desse campo, mesmo quando isso signifique suportar um terror impossível, já que este seria parte constituinte de qualquer horizonte de liberdade que se queira verdadeiro. Aqui Žižek e Padilha encontrariam um solo comum na ideia de que o discurso pacifista tem um problema tão dramático para resolver quanto o belicismo ativista. Ou seja, atribuir a violência tanto aos espíritos mal formados na pobreza quanto ao excesso da barbárie civilizatória é ainda pensar sem deixar lugar para o ato.

Ideia cuja radicalidade não escapa aos críticos e leitores da obra žižekiana, como quando argumentamos que “para Žižek a política (…) deve considerar o antagonismo como real. Mas o próprio antagonismo, como real, não pode ser representado de modo estável e contínuo por um sistema de significação. O antagonismo, como real, não cessa de não se inscrever. É no quadro deste impossível que Žižek tentará reintroduzir uma reflexão sobre a liberdade, como a segunda face deste antagonismo”[9]. Mas como compreender essa impossibilidade de significação, se é precisamente aí que se deve fundar o verdadeiro ato (que envolve a suspensão da subjetividade compreensivo imaginária) como ato verdadeiro (que envolve a criação de novas coordenadas simbólicas pela apresentação do Real)? De que se trata esse terror que se pretende verdadeiramente libertário, e em que ele se compõe e contrapõe àquele encenado em Tropa de Elite?

Žižek recorrerá às ideias de Robespierre, para quem: “o terror revolucionário é exatamente o oposto da guerra: Robespierre era um pacifista, não por hipocrisia ou sensibilidade humanitária, mas porque ele estava bem ciente de que a guerra entre as nações como regra serve como meio de ofuscar a luta revolucionária dentro de cada nação.”[10] Quanto a isso, estamos no terreno próximo daquele que fez Jacques Lacan retomar a fórmula do general Von Clausewitz: “a guerra é a continuação da política por outros meios”. Nessa chave, a oposição colocada pelo filme entre a violência policial nas favelas, justificada por um discurso naturalizado e tida como a solução do “problema”, e a corrupção do “sistema”, então tomada como causa do problema, se desfaz. Seria preciso reconhecer a continuidade entre ambos em seu substrato ideológico, de modo que possa ficar claro que a lógica da guerra é a mesma lógica que produz aquilo que a guerra combate, e que afinal de contas tal combate não passa de uma maneira de deixar as coisas como estão.

Contra a lógica da guerra, Žižek propõe a lógica da revolução, inspirada por Robespierre, “cujo objetivo declarado é devolver o destino da liberdade às mãos da verdade”[11]. Tal verdade deve admitir uma justiça rigorosa, inflexível, e estar disposta a assumir as consequências de todo o terror que for desferido em seu nome. No entanto, não encontramos nos textos de Žižek, e tampouco nas palavras de Robespierre, qualquer cálculo de terror, qualquer justificação antecipada para um ato de violência. Quando o terror torna-se política de Estado, ou quando o terror torna-se objeto constitutivo de uma contra-política ele não é mais terror divino, ato real, contingência criativa. Todo terror que é meio para algo é meramente violência administrada. Isso não deveria excluir o espaço para a violência que é ao mesmo tempo verdadeira, o que não deixa de significar necessária, mas também impensável, incalculável, imprevisível. Afinal, “calcular sem regras é a verdadeira situação daquele que se vê diante da iminência de produzir um ato”[12]. Nas palavras de Žižek:

Quando aqueles que estão fora do campo social estruturado atacam “cegamente”, exigindo e colocando em ato a justiça/vingança imediatamente, essa é “violência divina” – lembrem-se, uma década ou mais atrás, o pânico no Rio de Janeiro, quando multidões desceram de favelas para a parte rica da cidade e começaram a saquear e queimar supermercados – essa era a “violência divina”.[13]

Devemos compreender a noção benjaminiana de violência divina como “uma decisão (de matar, de arriscar ou perder a própria vida) tomada em absoluta solidão, sem cobertura no grande Outro.”[14] . Muito se criticou, nos ataques a lojas no Reino, ocorridos em 2011, o fato de que esta era apenas uma arruaça baseada em fins impuros (consumo) e meios inadequados (sem organização reinvindicativa). Ora, é neste tipo de circunstância, que se coloca algo novo para ser pensado, mais além da reprovação ou reprovação, mais além da contabilidade política. O que constitui, afinal, a característica fundamentalmente distintiva entre o terror revolucionário e a violência da guerra ou da instituição-preservação da lei é seu caráter estético (rendu) e sua desidentificação (meios-fins). Sem cobertura no grande Outro, sem autoridade constituída para transferir a responsabilidade, que seja a policial ou da massa anônima, o terror revolucionário nunca se justifica a si próprio de antemão, só pode ser medido por suas consequências: “se isso é extra-moral, não é imoral, isso não dá ao agente a licença de simplesmente matar com algum tipo de inocência angelical.” O que nos colocará no interior de uma espécie de ética das consequências, como a apontada por Alain Badiou: “O terror presente será retroativamente justificado se a sociedade que irá emergir será verdadeiramente humana”[15]. Seguindo as consequências daquilo que já havia sido notado por Robespierre ao se perguntar: “qual julgamento seguro alguém pode fazer sobre os efeitos que podem seguir a essas grandes comoções?”[16], devemos assumir, como fez Safatle, que há situações em que é imoral pensar:

Trata-se, na verdade, de redimensionar a noção de responsabilidade moral. Não se trata de oferecer um fundamento mais seguro. Trata-se de compreender que a insegurança do fundamento joga minhas ações para a dimensão da análise dos efeitos, para uma moralidade das consequências de cunho complexo. Retirada a garantia ontológica de alguma forma de identidade imediata no interior da ação moral ou, se quisermos, retirada a garantia de que a ação moral não se interverterá em catástrofe, em amoralidade, minha responsabilidade em relação ao ato é uma responsabilidade infinita, como dirá Derrida. Mesmo que todas as consequências da ação não dependam do meu controle, o engajamento em relação à ação exige que o cálculo seja infinitamente refeito a partir do desdobrar de suas consequências, a partir da maneira com que o grande Outro interpretará e reagirá à minha ação.[17]

Afinal, “a falibilidade do ato é traço essencial: o ato moral é aquele que deve ser assumido enquanto falível, como se racional fosse saber agir sem garantias de orientação na conduta.”[18] Nada mais distante da lógica de uma polícia para quem “missão dada é missão cumprida”, onde a violência nunca deixa de ser remetida à questão maior da segurança pública. Nesse sentido, os cálculos que justificam as ações são sempre dados com o máximo de clareza, ainda quando elas abrigam em seu interior a barbárie, como suplemento obsceno, tão subterrâneo quanto necessário. Trata-se de uma violência que se dirige inquestionada em direção a tudo aquilo que não porta a imagem do homem, a tudo o que está em desacordo com a identidade de seu tempo, numa lógica em que ninguém tem dúvidas de quem são e onde estão os bandidos e vagabundos.

O ato revolucionário, ao contrário, é aquele que admite sua opacidade constitutiva baseada no instante de indeterminação. Sem ser transparente para si próprio, não pode ser pautado por qualquer princípio de identidade, nos lançando numa ética em que um sujeito pode reconhecer em si próprio um outro: “o sujeito que reconhece tal opacidade é capaz de pensar contra si mesmo e reconhecer que o engajamento significa não exatamente ser fiel a um princípio, por mais claro que tal princípio possa lhe parecer, mas ser fiel ao esforço infinito de pensar e rever as consequências que se seguem àquilo que, em um dado momento, é claro para nós.”[19] Pois, como segue Safatle, “(…) todo verdadeiro ato é uma estrada construída perto demais de um abismo.”[20]

Talvez esse seja também o abismo à beira da estrada que corta as montanhas rochosas, percorrida por Jack Torrance,personagem de Jack Nicholson, em The Shining (O Iluminado) de Stanley Kubrick (1980), filme que pode ser tomado como anti-modelo de Tropa de Elite, ao nos enredar na trágica coincidência do eu com um outro, que funda um terror que não se pode chamar de imoral. E se o abismo está sempre à espreita, a falibilidade constitutiva do ato moral nos coloca ainda uma vez perante as palavras de Nietzsche:

O homem é uma corda, atada entre o animal e o além-do-homem – uma corda sobre um abismo. Perigosa travessia, perigoso a-caminho, perigoso olhar-para-trás, perigoso arrepiar-se e parar. O que é grande no homem, é que ele é uma ponte e não um fim: o que pode ser amado no homem, é que ele é um passar e um sucumbir. Amo Aqueles que não sabem viver a não ser como os que sucumbem, pois são os que atravessam. Amo os do grande desprezo, porque são os do grande respeito, e dardos da aspiração pela outra margem.[21]





[1] Ver Dunker, C.I.L. & Domiciano, J.F.G.M.S.. Teoria do Ato Moral Em um Mundo Melhor. ZAGAIA. Recuperado em 11 de setembro de 2011, de http://www.zagaiaemrevista.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=54&Itemid=7

[2] Ver Arantes, S. (2006, 29 de dezembro). “Tropa de Elite” de José Padilha explica por que polícia “é o que é”. Folha de São Paulo. Recuperado em 8 de agosto de 2011, de http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u67237.shtmlhttp://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u67237.shtml

[3] Safatle, V. (2010, 18 de outubro). Longa usa a lógica da guerra civil para discutir questão da segurança pública. Folha de São Paulo. Recuperado em 8 de agosto de 2011, de http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1810201018.htm

[4] Arantes, S. (2006, 29 de dezembro). “Tropa de Elite” de José Padilha explica por que polícia “é o que é”. Folha de São Paulo. Recuperado em 8 de agosto de 2011, de http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u67237.shtml

[5] Ibid.

[6] Ibid.

[7] Žižek, S. (1992). Looking awry: an introduction to Jacques Lacan through popular culture (p. 40). Cambridge, MA: MIT Press.

[8] Safatle, V. (2009). Sobre a potência política do inumano: retornar à crítica do humanismo. In A. Novaes (Org.), A condição humana (pp. 199-220), SP: Edições SESC.

[9] Dunker, C.I.L. (2005). Žižek: um pensador e suas sombras. In C. Dunker & J. L. A. Prado (Orgs.), Žižek Crítico (pp.47-80), SP: Hacker.

[10] Žižek, S. Robespierre or the “Divine Violence” of Terror. Recuperado em 8 de agosto de 2011, de http://www.lacan.com/zizrobes.htm#_ftn1

[11] Žižek, S. Robespierre or the “Divine Violence” of Terror. Recuperado em 8 de agosto de 2011, de http://www.lacan.com/zizrobes.htm#_ftn1

[12] Safatle, V. (2010). Há situações em que é imoral pensar? O duplo fundamento insuficiente do ato moral. In A. Novaes (Org.), A experiência do pensamento (pp. 133-155), SP: Edições SESC.

[13] Žižek, S. Robespierre or the “Divine Violence” of Terror. Recuperado em 8 de agosto de 2011, de http://www.lacan.com/zizrobes.htm#_ftn1

[14] Ibid.

[15] Badiou, A. citado por Žižek, S. Robespierre or the “Divine Violence” of Terror. Recuperado em 8 de agosto de 2011, de http://www.lacan.com/zizrobes.htm#_ftn1

[16] Žižek, S. Robespierre or the “Divine Violence” of Terror. Recuperado em 8 de agosto de 2011, de http://www.lacan.com/zizrobes.htm#_ftn1

[17] Safatle, V. (2010). Há situações em que é imoral pensar? O duplo fundamento insuficiente do ato moral. In A. Novaes (Org.), A experiência do pensamento (pp. 133-155), SP: Edições SESC.

[18] Ibid.

[19] Ibid.

[20] Ibid.

[21] Nietzsche, F. (1996). Assim falou Zaratustra (p.211). In In: Nietzsche Obras Incompletas. São Paulo: Nova Cultural, 1996.

Roberto Propheta Marques. Psicanalista. Pesquisador do Laboratório Interdisciplinar de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (LATESFIP/USP) e da Rede Clínica de Pesquisa do Laboratório Jacques Lacan (IP/USP). Pesquisador das relações entre cinema e psicanálise na obra de Slavoj Žižek (IP/USP). Christian Ingo Lenz Dunker. Psicanalista. Professor Livre-Docente Departamento de Psicologia Clínica Instituto de Psicologia da USP. Coordenador do Laboratório Interdisciplinar de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (LATESFIP-USP). Analista Membro de Escola (AME) da Escola dos Fóruns de Psicanálise do Campo Lacaniano. Autor de “O Cálculo Neurótico do Gozo” (Escuta, 2002) e “The Constitution of the Psychoanalytic Clinic: A History of its Structure and Power” (Karnak, 2010) além de diversos artigos e capítulos de livro em revistas científicas de diferentes países