Do coração e outros corações

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domingo, 19 de agosto de 2012

Sindicalista de dois senhores


do Blog de Roberto Romano


Resposta ao Proifes e ao sindicalista dos dois senhores

mai 27, 2012 by     109 Comentários    Postado em: Educação
No ano passado fiz um estudo (que recentemente foi atualizado), falando do salário dos professores das Federais, na categoria Adjunto 1, mostrando que hoje é menor que 1998. Ali considerei o valor final do salário, incluindo as gratificações, deflacionando pelo IPCA (disponível no IPEA DATA).
Pois bem, o Professor Gil Vicente, sindicalista profissional e bajulador oficial do Governo, fundador do Proifes (sindicato paralelo nacional, adepto à entrega ao Governo), resolveu enviar um email a todos os filiados ao braço Governamental Sindical, me criticando abertamente, acusando de ter feito um gráfico errado, além de outros adjetivos que poderão ver no email abaixo.
Não tenho problemas com críticas, mas em respeito à verdade gostaria de dizer algumas palavras.
Reafirmo que o gráfico que fiz está CORRETO, e considero o salário cheio do Adjunto 1. Este cidadão deve ter se baseado em alguma informação do sindicato abduzido que ele comanda nacionalmente. Ele é quem está distorcendo informações a serviço do Governo.
Provavelmente não deve ter considerado a GED (Gratificação de Estímulo à Docência) cheia. Ou então considerou outra categoria. No meu caso utilizei a de Adjunto 1, que é a porta de entrada de um professor com Doutorado.
Estes são os gráficos a que o Senhor Gil Vicente se referiu.
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Mas o estudo e o post que fiz ontem correu em várias listas de email (o Blog está com mais de 40 mil visitantes apenas hoje), incomodando o Senhor Gil Vicente, a ponto de sair de seu sofá para tentar me desqualificar.
Vou colocar abaixo o email enviado por ele aos colegas do Sindicato Chapa-branca. Volto em seguida.
De: Gil Vicente Reis de Figueiredo 
Data: 27 de maio de 2012 17:47
Assunto: Re: Proifes.Sindicato Greve nas federais promete ser longa
Para: proifes-sindicato@googlegroups.com

Colegas,

O professor do blog precisa refazer seu doutorado em finanças, em especial no que diz respeito à especial habilidade de elaborar e interpretar gráficos. O dele, que fala em perdas reais dos docentes, se considerado 1998 como ponto de partida, está errado. Não sei se por má fé, por incompetência ou por uma combinação de ambos. Além disso, as referências ao PROIFES são lamentavelmente simplórias, equivocadas e mentirosas.

Se observarmos a evolução dos valores dos salários reais dos professores adjunto 4, com doutorado, a partir de 1998 (ver arquivo anexo, devidamente fundamentado com todos os dados sobre a inflação e sobre os reajustes ocorridos desde então), veremos que em instante nenhum, até o momento, esses salários reais ficaram abaixo do patamar de 1998. Se considerarmos que, com a criação da classe de associado, os docentes da ativa puderam progredir, então o aumento real de salários é muito significativo (ver gráfico anexo, igualmente).

É óbvio que um erro não justifica outro e nada disso faz com que seja menos grave a perspectiva de eventual descumprimento do acordo de equiparação dos nossos salários com os da Ciência e Tecnologia, conforme já apontado pelo MPOG há quase dois anos. Isso está sendo e continuará a ser duramente cobrado do governo com toda a ênfase e os nossos sindicalizados decidirão o que fazer se não formos bem sucedidos. São eles a nossa referência.

Bom final de domingo a todos,
Gil.
* * *

Em 27 de maio de 2012 14:55, Lucio Olimpio de Carvalho Vieira escreveu:

Bobinhos esses garotos. Discurso velho. Se a Andes fosse forte e a greve real por que estao preocupados com o Proifes ?
Quem é o Senhor Gil Vicente e o Proifes?
Gil Vicente é daqueles profissionais de Sindicato. Ele não precisa entrar em greve, já que não dá aulas. Está à disposição do “Sindicato” forever and ever.

Mas algumas curiosidades permeiam a vida deste senhor barbudo da foto acima.

Como não conseguia ganhar a eleição para o Andes, seu grupo criou em 2005 o Proifes, como forma de abrir diálogo com o Governo. O Proifes é uma espécie de sindicato paralelo. Confesso que acreditei que isso iria ajudar, já que o Andes não conseguia se encontrar nas negociações.

Mas Gil Vicente, que segundo informações é filiado ao PT, leva uma dupla jornada.

Participa de negociações com o Governo através do Proifes (onde é praticamente o dono) e recebe um agrado do Governo via convênio para fazer algo que só ele sabe fazer: “estudar um Plano de Cargos e Carreira”.

O valor do Convênio? R$ 370 mil do meu, do seu, do nosso suado dinheiro em impostos.

Duvida que isso é verdade?

Pois o Senhor Gil Vicente ainda recebeu parte dele como Pessoa Física, basta ver no Portal da Transparência.

É o que o Presidente do Andes chamou de “Bolsa Sindical”.

gil
O Ministério Público Federal está investigando o repasse ao Sindicalista dos Dois Senhores.

Um dia negocia com o Governo em nome de milhares de professores e no outro vai prestar a consultoria ao próprio Governo sobre como fazer isso.

Como disse com muita propriedade o ex-presidente do Andes, Ciro Correia: “Como é possível que a pessoa que vai à mesa de negociações do Ministério do Planejamento seja a pessoa contratada pelo mesmo ministério para uma pesquisa que envolve os interesses dos professores federais?”. Ele ainda completa: “”Em qualquer outro lugar do mundo um contrato desse tipo já teria sido de motivo de escândalo público. Mas aqui não aconteceu nada.”

Isso aí é o que podemos chamar de “Sindicalismo de Resultados”, pelo menos para o Senhor Gil Vicente o resultado é positivo.

Mas como diz o seu colega de “sindicato”, o Professor Gaúcho Lucio Olimpio de Carvalho Vieira, em resposta ao amigo Gil Vicente: “Bobinhos esses garotos”.

Realmente, comparando-se a estes senhores, somos muito bobinhos.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012


do Roberto Romano

Estado de São Paulo, 14/08/2012.

Universidades federais, para além das greves

14 de agosto de 2012 | 3h 08
Roberto Romano
 
Pouco é comentado, nas análises sobre a greve dos professores federais, sobre o conúbio entre reitores e governo. É preciso examinar tal elo para entender os entraves institucionais e financeiros que originaram o movimento grevista.

A autonomia universitária não vai além da letra, na Constituição de 1988. Fora as universidades paulistas - cuja base autônoma é um decreto do Executivo estadual -, no Brasil os câmpus sofrem rígido controle do Ministério da Educação (MEC) e os reitores são escolhidos de modo plebiscitário. As lutas pelos cargos fazem com que na eleição reitoral impere o "é dando que se recebe". Como os municípios, as formas acadêmicas dependem de tratos oligárquicos e acertos com ministérios. Em eleições presidenciais essa anomalia se confirma no apoio ilegal de reitores aos palacianos. Em 27/10/2004 Luiz Inácio da Silva recebeu apoio de 55 instituições de ensino superior. Na audiência ilegal estavam os ministros da Educação, da Previdência e da Casa Civil. O encontro de 2004 foi o segundo entre reitores e Presidência. Em 5/8/2003, segundo importante dirigente universitária, "pela primeira vez tivemos uma reunião de caráter político entre o nosso sistema e o presidente da República" (fonte: MEC, no site Universia Brasil, http://www.universia.com.br). O procedimento foi repetido na escolha da atual presidente.

Ilegalidade para apoiar candidatos oficiais, subserviência diante do governo, uso de cargos para fins político-eleitorais. Os monopólios da ordem pública pelo Executivo trazem ineficácia ao câmpus, entravam iniciativas de pesquisadores e docentes. Os responsáveis pelo ministério confessam que sem os municípios e as universidades nada pode ser feito para melhoria administrativa e pedagógica no plano federal. Quando ministro, Fernando Haddad admitiu que o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) não trouxe reflexos significativos ao ensino superior: "O governo federal sozinho não conseguiria enfrentar os entraves educacionais do País. Era preciso o envolvimento de todos os Estados, municípios e universidades" (Haddad admite que PDE ainda não mudou ensino superior, Universia, 19/5/2008).

Quando notamos o comportamento dos reitores citados acima, podemo-nos inquietar com os frutos do comércio entre eles e os palácios. Ao contrário das universidades europeias ou norte-americanas, onde a guerra para conseguir recursos ocorre entre grupos acadêmicos (quem vence consegue verbas do Estado ou das empresas), nas universidades federais, como nos municípios, a passagem das verbas aos benefícios segue a via oligárquica e partidária. O reitor deve atrair deputados federais e senadores, obtendo o favor político a ser pago com fidelidade ao governo. Cada recurso novo é negociado na boca do Orçamento. As oposições consentidas podem ajudar na bacia das almas. O prestígio reitoral, no Executivo e no Congresso, nos últimos tempos tem sido raro. O dinheiro não está garantido. O que explica, em parte, as greves.

Interessa aos dirigentes o jogo dos oligarcas nos gabinetes ministeriais. Ali se determina o prestígio do reitor ou do seu grupo. Prefeitos em plano micrológico, eles buscam verbas. No itinerário dos recursos vêm o favor e as "conversas políticas". Ao se prenderem no xadrez burocrático e partidário, os reitores são obrigados a aceitar a lentidão e as regras que amesquinham ensino e pesquisa, começando com os baixos salários. A rede cortesã tolhe iniciativas dos câmpus, mas gera no seu interior a ilusão da democracia eletiva, com abstração dos fins científicos e pedagógicos. 

O dogma das eleições que assegurariam legitimidade às Reitorias trouxe resultados desastrosos. A experiência da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é importante, pois ela se repete a cada nova eleição nos câmpus federais. Nas eleições "todos os nomes sufragados pelas urnas pertenciam às forças políticas que vinham dirigindo a UFSC desde a sua criação e que mantinham com os governos militares uma convivência pacífica ou um apoio entusiasta. (...) O processo eleitoral não possibilitou, portanto, como esperavam ou aspiravam as forças de oposição ao regime militar, neste caso as organizações dos docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes, que grupos políticos não alinhados com as elites locais e nacionais pudessem ocupar os mais altos cargos da universidade" (Waldir José Rampinelli, O Preço do Voto - Os Bastidores de uma Eleição para Reitor).

Na universidade, nenhum mandato popular ou divino legitima o exercício do pesquisador/docente ou pesquisador/estudante. Só a retidão ética e o saber fornecem autoridade acadêmica. Se um reitor se mostra alheio à produção da ciência e do ensino e age servilmente perante o governo, temos apenas um embaixador do poder no câmpus. Se, além disso, ele traz para o interior da instituição universitária os interesses dos partidos políticos, surge algo manifestamente nocivo à universidade.
Nos últimos tempos, Reitorias que assumem semelhante lógica surgem em colunas políticas e de polícia, ligadas ao uso errôneo de recursos públicos. Para entender o fato importa examinar a estrutura do Estado brasileiro e os costumes que ela ocasiona. Sem autonomia, governadores, prefeitos, reitores são elos de uma cadeia (a da lisonja servil) que rege a vida política brasileira. É quase impossível mudar a forma de poder que centraliza as políticas públicas no Executivo federal. Mas nas universidades vivem intelectuais que dominam saberes e práticas as mais sofisticadas. Eles poderiam elaborar planos de autonomia compatíveis com os padrões da pesquisa científica, humanística e de ensino. Se não o fizeram e não o fazem, é por cumplicidade. Aí, nada mais pode ser dito, porque entramos no terreno do realismo míope e oportunista, fonte de muitos risos e de muitas lágrimas para a cidadania brasileira.

* FILÓSOFO, PROFESSOR DE ÉTICA E FILOSOFIA NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP), É AUTOR, ENTRE OUTROS LIVROS, DE 'O CALDEIRÃO DE MEDEIA' (PERSPECTIVA)

terça-feira, 10 de julho de 2012

BRAZIU!


TERÇA-FEIRA, 10 DE JULHO DE 2012

ROBERTO ROMANO:

Estado de São Paulo. Editorial. Concordo com o diagnóstico, que ressalta a demagogia do governo no assunto. Não seria esperar outra coisa do ex-presidente e de seus chaleiras nos campi (recordemos os abaixo assinados pela maioria absoluta dos reitores, lambendo as patas de Lula para apoiar sua candidata à presidência). No entanto, pergunto se é apenas o governo quem deve responder pela falta de professores. Indago se as seitas ou mesmo lobbies, para não dizer outro nome, mais exato, não respondem pela ausência de preenchimento de vagas. Tive, no ano passado, dois estudantes meus que fizeram o doutorado na Unicamp, trabalhos excelentes e aprovados pelos mais rigorosos examinadores. Pois bem: ambos foram reprovados nas "aulas práticas", pelas bancas, que notoriamente preferiram não preencher vagas, ou nelas colocar pessoas ligadas às referidas seitas. Acho que nesta hora, o questionamento também deveria ir (não prioritáriamente) para eles. O reino animal do espírito funciona, e torna impossível uma política universal e coerente. Um detalhe: os estudantes também não pertencem às seitas que distribuem vagas pelo Brasil afora, informam sobre concursos, etc.


Faltam docentes para as federais
10 de julho de 2012 | 3h 06

O Estado de S.Paulo

A prolongada greve dos docentes das universidades federais está trazendo à tona os principais problemas das 59 instituições mantidas pela União. Esse foi um dos setores privilegiados pelo governo do presidente Lula, que deixou o cargo se gabando de ter criado mais universidades que Juscelino Kubitschek. Nos oito anos em que comandou o País, Lula criou 14 instituições. Em cinco anos de governo, JK criou 10.

A diferença é que, enquanto as universidades de JK foram criadas para atender as capitais dos Estados menos desenvolvidos, as de Lula foram, em sua maioria, abertas onde não havia demanda. Em vez de fazer um cuidadoso estudo sobre as reais necessidades da rede pública de ensino superior, o governo Lula gastou R$ 4 bilhões inaugurando universidades sem instalações adequadas e matriculando alunos antes de serem construídas bibliotecas e laboratórios.

No entanto, problema mais grave, que está sendo revelado pela greve que paralisa os cursos de graduação de 56 das 59 universidades federais, é a falta de professores preparados e com doutorado para compor o corpo docente. As áreas mais afetadas são as de economia, engenharia, psicologia, saúde e pedagogia. O caso da Universidade Federal do ABC, criada em 2004 no principal reduto eleitoral do PT, é exemplar. Dos últimos 90 concursos realizados pela instituição, 32 não tiveram candidatos aprovados - um índice de 35%. Na Unicamp, uma universidade estadual que está entre as melhores do País, só 1% dos últimos concursos terminou sem candidatos aprovados.

Segundo levantamento feito pelo jornal Folha de S.Paulo, de todos os processos seletivos realizados pelas universidades federais entre 2011 e 2012, 59 terminaram sem nenhum aprovado. Em alguns desses concursos, não houve sequer candidatos inscritos. Nos demais, os candidatos não atingiram a nota mínima em quesitos básicos, como prova didática, prova escrita, análise de currículo e apresentação de um plano de trabalho. Em média, 1 em cada 4 processos seletivos realizados entre 2011 e 2012 terminou sem aprovados.

Na Universidade Federal de São Paulo, foram realizados 116 processos seletivos, dos quais 24 não tiveram um único professor aprovado. Na Universidade Federal de São Carlos, foram realizados 26 concursos, dos quais 3 terminaram sem aprovados. Para os reitores, apesar de as universidades federais mais antigas e tradicionais oferecerem boas condições para atividades de pesquisa e extensão, os baixos salários pagos pelo Ministério da Educação (MEC) não atraem candidatos qualificados. O salário inicial de um professor de uma universidade federal em regime de tempo integral e dedicação exclusiva é de R$ 7.627. No final de carreira, o salário é de R$ 12.225. "Com esse salário e carreira, quem quer ser professor em federal?", indaga a presidente do Sindicato dos Professores da Unifesp, Virgínia Junqueira. Nas universidades federais recém-criadas, o problema não é só salarial. Além dos baixos vencimentos, elas não oferecem condições de trabalho e estão situadas em locais distantes.

Falando com a condição de anonimato, alguns dirigentes do MEC alegam que a criação desenfreada de novas universidades, pelo governo Lula, não foi precedida de um projeto de expansão da capacidade da rede pública de ensino superior para formar doutores. Quando não são contratados pela iniciativa privada, os doutores formados pelas federais preferem trabalhar nos órgãos de ponta do governo federal - um analista financeiro iniciante na Controladoria-Geral da União, por exemplo, recebe R$ 13.000. E quem quer seguir a carreira acadêmica tende a prestar concurso nas universidades estaduais mais conceituadas, como a UERJ (Rio de Janeiro), a UEL (Londrina) e a USP, Unicamp e Unesp.

Para o secretário de Ensino Superior do MEC, Amaro Lins, a escassez de professores qualificados tende a diminuir à medida que as novas federais instalarem programas de pós-graduação. Mas, além de levar tempo, isso esbarra em outro problema. Se não há docentes nem para a graduação, haverá professores em número suficiente para os novos cursos de doutorado?

domingo, 8 de julho de 2012

Mercadante: supera Paulo Renato do FHC


Do Blog de roberto Romano

A greve nas universidades federais (Do Site do Andes/Nacional).

06/07 - INFORME DO ENCONTRO ENTRE O SECRETÁRIO DA SESU E O CNG-ANDES
Durante a manifestação realizada no dia 3/7/12 no MEC, o Secretário de Ensino Superior, Amaro Lins, recebeu as representações do ANDES, SINASEFE, FASUBRA e do Comando Nacional de Greve dos Estudantes. Leia mais>>
06/07 - ENCAMINHAMENTO DO CNG/ANDES RELATIVO À MENSAGEM 552047 DO MPOG
Recebemos neste Comando Nacional de Greve cópia da mensagem 552047, através de delegados de base, expedida pelas Secretarias de Relações do Trabalho e de Gestão Pública Leia mais>>