Do coração e outros corações

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terça-feira, 10 de julho de 2012

Desculpem a nossa Falha ...


de Roberto Romano: Editorial da Folha. Como é costume no jornalão, o uso da novilingua é perene: injustiça vira justiça, etc. A velha ideologia privatista da Folha, sua opção preferencial pelas universidades privadas (com toda a polissemia do termo), sua falta de respeito pelo saber gerado nas universidades públicas, enfim, a propaganda do capital (no Brasil, quase sempre arrancado dos cofres públicos), faz da Folha a inimiga dos campi. E se for somada a presença, nas suas redações, dos ressentidos com a universidade (os que perderam concursos e foram distilar ódio contra a USP, a Unicamp e outras nas colunas do reinado folhetinesco), bem, ficamos ao par do quanto a união de ideologia com ódio pode ser letal à inteligência. Ah! esqueci de mencionar os lobbies com editoras, as "polêmicas"fabricadas para vender jornal, etc. É muita privataria para o gosto saudável. Causa vômitos, sempre.

Índice geralSão Paulo, segunda-feira, 09 de julho de 2012Opinião
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Universidade justa
Crise nas federais põe a nu (nu?) dilema do financiamento; benefício de renda obtido por egressos deveria contribuir para ampliar oferta de vagas "Universidade gratuita" é um ótimo slogan para manifestações. Mas, no mundo real (mundo real: leia-se mundo dos governos brasileiros e dos empresários), implica um paradoxo. Prédios, professores, funcionários, laboratórios -alguém precisa pagar por eles (e não é a Folha, nem seus empresários). 
Só expandir o sistema oficial, sem criar formas sustentáveis de financiá-lo, torna recorrentes as crises -como a que ora paralisa as universidades federais. 
Se não é o aluno quem paga, com mensalidades, a conta vai para o conjunto da sociedade, por meio de impostos (impostos de todos, inclusive o meu, dos pais dos alunos...). É mais que legítimo, portanto, discutir qual modelo serve melhor aos interesses do país. 
O primeiro ponto a elucidar é que universidades não servem apenas para ensinar, mas também para fazer pesquisa. E essa é justamente a parte mais cara (É mesmo? Por que? Cadê esses gastos? e se ensinar não é mais cara de que ensino a FSP fala? É claro, fala do ensino nas privadas onde o professor recebe de R$ 10,00 h/aula a ...). 
Nos EUA, até instituições estatais cobram anuidades, que chegam a dezenas de milhares de dólares. Lá, o grosso do financiamento da pesquisa, tanto das universidades privadas como das oficiais, se faz com recursos públicos -fomento direto à investigação ou doações filantrópicas (disse bem, filantrópicos e aqui no Brasil é bom falar de filantropia só temos a rede de corrupção. Alguém conhece no Brasil um burguês filantrópico? Aqui só conhecemos classe dominante pendurada no Estado. Aí dona Folha de São Paulo! ), que envolvem algum tipo de renúncia fiscal. 
Não faria sentido algum exigir que alunos de universidades públicas brasileiras arcassem com as despesas da instituição com pesquisa, tampouco com outros itens que pesam bastante em seus orçamentos, como aposentadorias, hospitais universitários etc. 
Ainda assim, resta uma conta diretamente ligada ao ensino, cujo custeio precisa ser debatido. 
A "universidade gratuita", afinal, é socialmente regressiva (para os neoliberais que apesar de quererem uma sociedade de mercado, na hora da crise querem dinheiro do Estado. Vide a ajuda aos banqueiros). Embora formar médicos e engenheiros justifique investimento público (interessa à sociedade pagar para tê-los), é grande a apropriação privada que ocorre após a graduação. 
Um estudo de 2005 de Marcelo Neri, da FGV, mostrou que a diferença entre o salário médio de um médico e o de alguém que jamais estudou chegava a 1.500% (que falácia! Por que o salário mínimo do Dieese é mais do que R$3.000,00. Está falando do salário ínfimo. E de médico a FSP fala?). É claro que nem todos os cursos superiores resultam na mesma desproporção, mas não se pode negar que detentores de títulos universitários são mais bem remunerados, em geral. 
A cobrança direta de mensalidades é uma possibilidade entre outras. Seu efeito mais nocivo seria dificultar a entrada de estudantes sem recursos, mas pode ser mitigado por programas de bolsas de estudo e empréstimos a juro baixo. 
Existem alternativas, porém, como o pagamento de alíquota adicional do Imposto de Renda por egressos da universidade pública. Mas o mecanismo seria muito vulnerável à ocultação de renda e exigiria uma burocracia própria. 
Outra opção seria criar um serviço social compulsório para formados em instituições oficiais. Um médico formado numa universidade federal, por exemplo, passaria determinado período trabalhando onde o governo determinasse. 
Essas são apenas algumas das propostas. O importante é que se discuta o modelo de financiamento das universidades como forma de promover mais justiça social.
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FICO CONSTRANGIDA EM LER UM EDITORIAL DESSE! Quando falamos que nossos alunos não sabem escrever e não apresentam um texto lógico esqueço que dirigentes da elite brasileira, donos de jornal também não apresentam lógica. FICA aqui a patifaria da escrita. Da ideologia mascarada em jornalismo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Piratas

'Privataria' não impede deputados de lutar por lei de 'deslavagem'

Pela quarta vez no ano, projeto que permite trazer ao Brasil dinheiro remetido ao exterior de forma ilegal entra na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara mas tem votação barrada. Relator e defensor do projeto, Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) impediu na semana passada votação de lei que taxa grandes fortunas.

BRASÍLIA – Com o tema “lavagem de dinheiro” em debate no país hoje, por causa do lançamento do livro A Privataria Tucana, deputados da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) tentaram nesta terça-feira (13), mais uma vez, votar projeto que autoriza o repatriamento ao Brasil de recursos enviados para o exterior de forma ilegal.

A tentativa foi barrada, porém, pela maioria dos membros da comissão, com a aprovação de uma proposta para retirar o projeto da pauta. Foi a quarta vez, desde junho, que o texto esteva na fila de votações da CCJ, mas foi excluído durante a sessão.

O projeto foi apresentado em 2003 pelo deputado Luciano Castro (RR), que na época era do então PFL, adversário do governo federal, e hoje está no PR, que é aliado do governo. Este ano, recebeu parecer favorável à aprovação por parte do relator na CCJ, Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).

A proposta original dava 180 dias para que pessoas e empresas trouxessem ao Brasil dinheiro do exterior sem obrigá-las a declarar a origem dos recursos e exigindo da Receita Federal que guardasse sigilo sobre a identidade do repatriador.

A única condição imposta ao interessado em "deslavar" seria a cobrança de uma taxa de 5%, cuja arrecadação seria revertida para o hoje extinto Fome Zero, programa de combate à fome do início do governo Lula.

No seu parecer, Arnaldo Faria de Sá avaliza o projeto, mas lista 15 situações que não permitiram a volta de dinheiro, como contrabando, crimes contra a economia popular, contra a administração pública ou o sistema financeiro.

“Com essa lei estamos estimulando a lavagem de dinheiro”, disse o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), autor do requerimento de retirada de pauta.

“Esse projeto é um absurdo. Os doleiros do Banestado vão sair felizes da vida”, reforçou o deputado Francisco Francischini (PSDB-PR), que é delegado da Polícia Federal.

Arnaldo Faria de Sá, que na semana passada barrou a votação de projeto que cria um imposto sobre grandes fortunas, defendeu a votação do repatriamento, dizendo que seria bom o país ter condições de providenciar recursos em meio à crise global. E afirmando que outros países já fizeram isso.

Teve o apoio de deputados como Paulo Maluf (PP-SP), que colecionou processos por desvio de verba pública e lavagem de dinheiro, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), relator de projeto sobre cerco a corruptores que em quatro anos jamais apresentou um parecer, e José Mentor (PT-SP), relator da CPI do Banestado que investigou exatamente fuga de dólares de forma ilegal para o exterior.

Onde os primos se encontram...

Enviado pelo Grozny Arruda
Grata.

No meio das corrupções com Luppi, do mensalão... os primos se encontram.
A PRIVATARIA TUCANA do site Observatório da imprensa
O livro invisível
Por Luciano Martins Costa em 14/12/2011
      O espetacular lançamento do livro A privataria tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., certamente um dos mais velozes fenômenos de venda da indústria brasileira de livros, produz outras circunstâncias estranhas, além do escancarado constrangimento da chamada grande imprensa: o autor e a editora foram vítimas de uma pirataria militante, com a distribuição ilegal de cópias digitais da obra.
 Nas primeiras horas da manhã de terça-feira (13/12), cópias digitais em formato PDF já estavam à venda ou eram distribuídas gratuitamente em vários sites. No blog livrosdehumanas.org, podia-se baixar uma cópia gratuita ou com desconto de 30% sobre o preço oficial de R$ 34,90.
 O publisher e sócio da Geração Editorial, Luiz Fernando Emediato, foi informado pelas redes sociais da derrama de exemplares pirateados quando o sistema paralelo de distribuição e venda já se configurava como uma ação viral – quando determinado tema entra simultaneamente entre os tópicos mais vistos da internet, através de sites, blogs, redes de relacionamento e sistemas de mensagens curtas, tornando-se quase impossível contê-lo.
 Ao longo da terça-feira, o esforço da Geração Editorial ainda não havia conseguido bloquear o sistema paralelo de vendas, o que teoricamente deveria aumentar o interesse jornalístico por esse fenômeno do mercado editorial.
Não aconteceu
 O sucesso estrondoso do livro criou uma situação inusitada: ele se instalou rapidamente no topo do ranking de vendas da Livraria da Folha na semana, enquando a Folha de S.Paulo continua ignorando sua existência.
 O leitor há de ficar atento à listagem dos livros mais vendidos na revista Veja, para verificar se o mistério se repete: um livro campeão de vendas que a imprensa considera inexistente.
 Em entrevista à Agência Carta Maior, Luiz Fernando Emediato disse acreditar que a grande imprensa vai entrar em breve no debate que se seguiu à publicação, por causa do grande interesse demonstrado pelo público através das redes sociais e da mídia online.
 Mas a chamada grande imprensa seguiu desprezando o acontecimento jornalístico mais interessante da temporada, assim como se calaram os principais personagens da história. Para os jornais, A privataria tucana é um livro invisível. É como se os editores acreditassem que aquilo que não sai na imprensa tradicional nunca aconteceu.

Apostando no silêncio
 Emediato dizia esperar que o ex-governador José Serra viesse a público a qualquer momento para se justificar, uma vez que não é acusado diretamente dos crimes citados na reportagem. “Mas falar que não sabia das movimentações milionárias da filha, é algo difícil de acreditar”, afirmou.
Saboreando o sucesso comercial de seu empreendimento, o editor participou ativamente dos debates nas redes sociais desde o sábado, ao mesmo tempo em que administrava uma estratégia cautelosa em relação ao PSDB.
Pelo menos dois colunistas da Folha de S.Paulo e uma colunista do Estadão estavam digerindo o livro na terça-feira.

O ex-governador José Serra, principal personagem da reportagem, resolveu sair do mutismo e declarou ao site do Estadão, no fim da tarde de terça-feira (13), que não se manifestaria sobre o assunto. “Vou comentar o que sobre lixo? Lixo é lixo”, teria dito Serra, segundo a site do jornal paulista.
Presente ao mesmo evento, a inauguração da sala da liderança do PSDB na Câmara dos Deputados, batizada com o nome do falecido ex-deputado e jornalista Artur da Távola, o senador Aécio Neves, apontado como mentor da investigação que colocou Ribeiro Jr. na pista de José Serra, também evitou comentários, chamando a obra de “literatura menor”.

Todo o teor da reportagem trata de desqualificar o autor do livro. O mesmo viés aparece na repercussão imediata de outros sites da grande imprensa, na madrugada de quarta-feira (14).

A primeira manifestação de Serra depois da publicação do livro foi seguida de uma postagem no Twitter, na noite de terça-feira. “Não se faz política para ser-se digno. Faz-se política por ser digno”, escreveu, citando Artur da Távola. No mesmo horário a frase foi postada em sua página no Facebook (/timeserra45). No seu site (www.joseserra.com.br), atualizado pela última vez na véspera do lançamento do livro, seu artigo publicado originalmente no Estado de S.Paulo sob o título “O mal essencial” trata de corrupção. Nenhuma referência às acusações contidas no livro. Serra parece confiante de que, se a grande imprensa não noticiar, a onda vai passar.