Do coração e outros corações

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terça-feira, 19 de junho de 2012

Demóstenes e Cia Anônima


Enviado por Grozny Arruda
por Ricardo Noblat - 18.6.12
Conselho de Ética do Senado julga Demóstenes

Quem ainda tem dúvidas sobre a verdadeira natureza da relação do contraventor Carlinhos Cachoeira, preso sob a acusação de explorar jogos ilegais, com o senador Demóstenes Torres (GO)?

Os dois eram amigos, por suposto. Mas as centenas de ligações telefônicas grampeadas pela Polícia Federal mostram que além de amigos também eram sócios.

A cozinha dada de presente por Cachoeira a Demóstenes foi coisa de amigo. Demóstenes acabara de casar. Mas o Nextel que Demóstenes ganhou de Cachoeira foi coisa de bandido.

Cachoeira supôs que o aparelho era à prova de grampo. Distribuiu uma dezena com pessoas que o ajudavam a fazer negócios. Demóstenes era uma delas.

Logo que ruiu sua imagem de exemplar servidor da ética e dos bons costumes, ninguém dentro do Congresso apostava uma nota de três reais no futuro de Demóstenes.


Hoje, o Conselho de Ética do Senado aprovará o relatório que recomenda a cassação do mandato dele. Em seguida, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado avalizará o resultado.

Se tudo correr como o previsto, os 81 senadores (inclusive Demóstenes) se reunirão em 18 de julho para confirmar ou desautorizar o que o Conselho de Ética decidiu.

É aí que mora o perigo. O voto no Conselho é aberto. No plenário é secreto. Quem condenar Demóstenes no Conselho poderá absolvê-lo no plenário sem se desgastar.

E por que a maioria dos senadores fecharia os olhos às evidências de que Demóstenes feriu o decoro parlamentar?

Ora, até Luana, minha neta de quatro anos, responderia sem gastar dois neurônios: porque estão pouco se lixando para decoro. Procedem como Demóstenes ou até pior. Não têm biografias, mas prontuários.

A chantagem é um instrumento afiado, perigoso.

Políticos costumam conhecer os malfeitos praticados pelos colegas. Por curiosidade, trocam confidências a respeito. Aprendem uns com os outros. Aperfeiçoam as técnicas de se dar. E bebem em fontes comuns de financiamento de despesas de campanha.

Se um deles correr o risco de ser decapitado pelos demais, apelará para a chantagem se não lhe restar outra saída.

Assim Renan Calheiros salvou seu mandato ao se tornar público que o lobista de uma empreiteira pagava despesas de sua ex-amante com quem ele tem um filho.

Na história de 188 anos do Senado, somente um senador foi cassado - Luiz Estevão de Oliveira (PMDB-DF), acusado de desviar dinheiro público em 2000.

A política virou um meio seguro e eficiente de enriquecimento ilícito. A desqualificação do Congresso pegou velocidade.

Cito de memória presidentes do Senado que dos anos 90 para cá renunciaram ao cargo ou ao mandato, evitando assim serem cassados: Jader Barbalho (PA), Antonio Carlos Magalhães (BA) e Renan Calheiros (AL). Esqueci algum?

Severino Cavalcanti presidiu a Câmara em 2005. Foi obrigado a renunciar à presidência e ao mandato porque se ficou sabendo que embolsava um mensalinho de R$ 10 mil pago pelo concessionário de um dos restaurantes da Câmara.

João Paulo Cunha, que antecedeu Severino no cargo, está para ser julgado como um dos 38 réus do mensalão.

Políticos dão a impressão de ser poderosos. E há os que de fato o são até que surja um conhecedor dos seus segredos disposto a revelá-los.

Um motorista, um caseiro, uma mulher agastada – qualquer um serve.
Quanto mais humilde for, maior o estrago que suas revelações poderão produzir.

Quanto a quem detém de fato poder... Essa gente não revela segredos nem quando passa aperto. Vale pelo que sabe, mas não conta.

O publicitário mineiro Marcos Valério, um dos cérebros do mensalão do PT, por exemplo, nada contou. Uma vez insinuou que contaria. Lula então tomou um porre e falou em renúncia.

Valério acabou socorrido pelos que temeram suas inconfidências.

O socorro a Valério foi financeiro.

Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta, não precisa de dinheiro, mas de proteção.

Com a autoridade de quem admitia gastar R$ 6 milhões com um senador ou R$ 30 milhões para descolar um bom negócio, cobra proteção a seus amigos infiltrados na CPI do Cachoeira.

Está sendo protegido até aqui.

Dá voltas em torno do prédio do Congresso a fila dos preocupados em proteger Cavendish.

domingo, 8 de abril de 2012

Braziu!

Mergulhado em denúncias, Demóstenes quebra silêncio para criticar pacote de Dilma na internet 

do blog de 
A torrente de evidências da ligação promíscua de Demóstenes Torres com Carlinhos Cachoeira não privou o senador apenas de sua antiga biografia. Tirou dele também o senso de realidade.
Imerso em denúncias, Demóstenes decidiu quebrar um silêncio que já durava 15 dias. Neste sábado (7), veiculou um artigo no blog que mantém na internet. O título é instigante: “Um Brasil maior para os pequenos.”
Um leitor apressado poderia imaginar que o senador propugna por um país de dimensões grandiosas. Um Brasil grande o bastante para acomodar pessoas que, como ele, apequenaram-se. Engano.
Lendo-se o texto (disponível aqui), percebe-se que Demóstenes ainda se julga em condições de posar de gigante. Em 13 parágrafos, não anotou uma mísera paralavra sobre a crise moral em que se encontra mergulhado.
Dedica-se no artigo a criticar as medidas de estímulo à indústria anunciadas por Dilma Rousseff há cinco dias. Chama as providências de “saco de bondades”. Sustenta que o pacote “trouxe menos que o esperado”.
Como se nada estivesse sucedendo à sua volta, Demóstenes ainda mantém no cabeçalho do site um selo que já não orna com sua condição de náufrago: “CPI da Corrupção, eu assinei”.
No momento, a única investigação parlamentar com alguma chance de vingar no Congresso é a CPI do Cachoeira. Alheio ao novo cenário, Demóstenes leva os lábios ao trombone para queixar-se da desatenção de Dilma com os “empreendimentos de fundo de quintal, das lojinhas sem registro, dos feirantes.”
Escreve: “São esses os que clamam no deserto da falta de financiamento, da ausência absoluta de condições de giro. O governo, que garante não abandonar a indústria, poderia completar a frase: ‘… não importa o tamanho’.”
Avalia que “os gargalos são abissais para grandes e pequenos”. Mas toma as dores dos “micros”, cujo “poder de pressão se resume ao grito diante dos juros em empréstimos, em geral com agiotas clandestinos.”
Acrescenta: “A esperança é que, mesmo aos sustos, a eles chegue a sacola de facilidades sacudidas pelo governo quando a quebradeira se avizinha.” Há um mês, esse Demóstenes combativo do artigo talvez fosse tomado a sério.
Hoje, arrisca-se a ser visto como um músico do Titanic. A história registra que, no célebre naufrágio, podia-se ouvir dos barcos salva-vidas a orquestra tocando até o fim. A caminho do fundo, Demóstenes recusa-se a ajustar o repertório.
Parece imaginar que ainda há no salão ouvidos dispostos a dar atenção a qualquer nota que não se pareça com uma boa explicação. A última manifestação de Demóstenes antes desse artigo viera em 23 de março, na forma de um lote de notas no twitter.
Numa delas, o senador anotara: “Não faço parte nem compactuo com qualquer esquema ilícito, não integro organização ilegal nem componho algo do gênero.” Desde então, avolumaram-se os grampos telefônicos em que soam as conversas vadias que denunciam o contrário.
A despeito de tudo, Demóstenes serve seu artigo à platéia de costas para os fatos. É como se, sem se dar conta do desnível do chão, o senador atribuísse a vertigem ao redor à má procedência do champanhe servido na embarcação.
Queixa-se no texto da precariedade da infraestrutura no Brasil de Dilma : “Enquanto isso, rodovias, portos, aeroportos, ferrovias e a burocracia seguem seu curso, tragando sonhos de todas as extensões.”
Com água pelo nariz, as caldeiras explodindo do seu lado, os tubarões entrando pelas escotilhas, Demóstenes mantém-se agarrado ao trombone enquanto afunda. Quando cair em si, estará tocando suas últimas notas: “Glub-glub-glub…”

domingo, 25 de março de 2012

 Enviado pelo amigo Grozny Arruda, RJ
Grata!
FRASE DO DIA“

Na Corruptolândia, capital Corruptília, não haverá honestidade, logo não haverá pobres, pois pobre é que tem mania de ser honesto, assim como honesto tem a desgraça de ser pobre. E eu quero que pobre se exploda!

“Deputado Justo Veríssimo, um dos 209 personagens de Chico Anysio”.

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Demóstenes Torres emprega em cargo de confiança em seu gabinete uma familiar de Gilmar Mendes. Senador é citado em apuração sobre jogo ilegal, caso que pode ir ao STF; ele e Mendes negam conflito de interesse

Leandro Colon e Fernando Mello, Folha de S. Paulo 

Sob risco de virar alvo do STF (Supremo Tribunal Federal), o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) emprega em seu gabinete uma enteada de Gilmar Mendes, um dos 11 ministros da corte.


Ketlin Feitosa Ramos, que é tratada na família como filha do ministro, ocupa desde setembro o cargo de assessora parlamentar de Demóstenes, posto de confiança e livre nomeação.
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Os 30% de Demóstenes
Leandro Fortes, CartaCapital

A Polícia Federal tem conhecimento, desde 2006, das ligações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.

Três relatórios assinados pelo delegado Deuselino Valadares dos Santos, então chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (DRCOR), da Superintendência da PF em Goiânia, revelam que Demóstenes tinha direito a 30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino, calculada em, aproximadamente, 170 milhões de reais nos últimos seis anos.

Segundo relatório da Polícia Federal, 30% é o percentual que o senador do DEM recebia do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Na época, o império do bicheiro incluía 8 mil máquinas ilegais de caça-níqueis e 1,5 mil pontos de bingos. Como somente no mês passado a jogatina foi desbaratada, na Operação Monte Carlo, as contas apresentadas pela PF demonstram que a parte do parlamentar deve ter ficado em torno de 50 milhões de reais.

O dinheiro, segundo a PF, estava sendo direcionado para a futura candidatura de Demóstenes ao governo de Goiás, via caixa dois.

A informação, obtida por CartaCapital, consta de um Relatório Sigiloso de Análise da Operação Monte Carlo, sob os cuidados do Núcleo de Inteligência Policial da Superintendência da PF em Brasília. Dessa forma, sabe-se agora que Demóstenes Torres, ex-procurador, ex-delegado, ex-secretário de Segurança Pública de Goiás, mantinha uma relação direta com o bando de Cachoeira, ao mesmo tempo em que ocupava a tribuna do Senado Federal para vociferar contra a corrupção e o crime organizado no País.

O senador conseguiu manter a investigação tanto tempo em segredo por conta de um expediente tipicamente mafioso: ao invés de se defender, comprou o delegado da PF.

Deuselino Valadares foi um dos 35 presos pela Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro. Nas intercepções telefônicas feitas pela PF, com autorização da Justiça, ele é chamado de “Neguinho” pelo bicheiro. Por estar lotado na DRCOR, era responsável pelas operações policiais da Superintendência da PF em todo o estado de Goiás.

Ao que tudo indica, foi cooptado para a quadrilha logo depois de descobrir os esquemas de Cachoeira, Demóstenes e mais três políticos goianos também citados por ele, na investigação: os deputados federais Carlos Alberto Leréia (PSDB), Jovair Arantes (PTB) e Rubens Otoni (PT).

Escutas da Operação Monte Carlo mostram que o bicheiro citou mais três políticos goianos: Rubens Otoni (PT) (à esquerda), Carlos Alberto Leréia (PSDB) (centro) e Jovair Arantes (PTB).

Ao longo da investigação, a PF descobriu que, nos últimos cinco anos, o delegado passava informações sigilosas para o bando e enriquecia a olhos vistos. Tornou-se dono de uma empresa, a Ideal Segurança Ltda, registrada em nome da mulher, Luanna Bastos Pires Valadares. A firma foi montada em sociedade com Carlinhos Cachoeira para lavar dinheiro. Também comprou fazendas em Tocantins, o que acabou por levantar suspeitas e resultar no afastamento dele da PF, em 2011.
O primeiro relatório do delegado Deuselino Valadares data de 7 de abril de 2006, encaminhado à Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio (Delepat) da PF em Goiânia. Valadares investigava o escândalo da Avestruz Master, uma empresa que fraudou milhares de investidores em Goiás, quando conheceu o advogado Ruy Cruvinel.
Cruvinel chamou Valadares para formar uma parceria a fim de criar “uma organização paralela” à de Carlinhos Cachoeira. O suborno, segundo o delegado, seria uma quantia inicial de 200 mil reais. Ele, ao que parece, não aceitou e decidiu denunciar o crime.
Em 26 de abril de 2006, o relatório circunstanciado parcial 001/06, assinado por Deuselino Valadares, revelou uma ação da PF para estourar o cassino de Ruy Cruvinel, no Setor Oeste de Goiânia. Preso, Cruvinel confessou que, dos 200 mil reais semanais auferidos pelo esquema (Goiás e entorno de Brasília), 50%, ou seja, 100 mil reais, iam diretamente para os cofres de Carlinhos Cachoeira.
Outros 30% eram destinados ao senador Demóstenes Torres, cuja responsabilidade era a de remunerar também o então superintende de Loterias da Agência Goiânia de Administração (Aganp), Marcelo Siqueira. Ex-procurador, Siqueira foi indicação de Demóstenes e do deputado Leréia para o cargo.
Curiosamente, ao assumir a função, um ano antes, ele havia anunciado que iria “jogar duro” contra o jogo ilegal em Goiás.
Em 31 de maio de 2006, de acordo com os documentos da Operação Monte Carlo, Deuselino Valadares fez o relatório derradeiro sobre o esquema, de forma bem detalhada, aí incluído um infográfico do “propinoduto” onde o bicheiro é colocado no centro de uma série de ramificações criminosas, ao lado do senador do DEM e do ex-procurador Marcelo Siqueira. Em seguida, misteriosamente, o delegado parou de investigar o caso.
“Verificado todo o arquivo físico do NIP/SR/DPF/GO não foi localizado nenhum relatório, informação ou documentos de lavra do DPF DEUSELINO dando conta de eventual continuidade de seus contatos com pessoas ligadas à exploração de jogos de azar no Estado de Goiás”, registrou o delegado Raul Alexandre Marques de Souza, em 13 de outubro de 2011, quando as investigações da Monte Carlo estavam em andamento.
A participação do senador Demóstenes Torres só foi novamente levantada pela PF em 2008, quando uma operação também voltada à repressão de jogo ilegal, batizada de “Las Vegas”, o flagrou em grampos telefônicos em tratativas com Carlinhos Cachoeira.
Novamente, o parlamentar conseguiu se safar graças a uma estranha posição da Procuradoria Geral da República, que recebeu o inquérito da PF, em 2009, mas jamais deu andamento ao caso.

Sen-ATOR