Do coração e outros corações

Do coração e outros corações

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A morte que nos ronda...


Uma manhã na Síria

por Rui Bebiano, Blog A terceira noite, Portugal
Curta-metragem do jovem realizador sírio Bassel Al Shahade, assassinado em Homs pelas tropas de al-Assad. Num dos massacres que alguns dos habitués da distorção da História dizem não ter acontecido. E que os adversários do não-intervencionismo a qualquer preço fazem por ignorar. Enquanto permaneceu vivo, Bassel foi aliás uma das testemunhas do que estava (e continua neste preciso momento) a acontecer. De notar que poderia ter permanecido a salvo, por se encontrar a estudar nos EUA com uma bolsa Fulbright, tendo decidido regressar ao seu país para cobrir os acontecimentos. Mais informação aqui.

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Anarquia no século 21

Por RUI BEBIANO, Blog A terceira noite, Portugal

O fim da ordem bipolar introduzida pela Guerra Fria e o estado de desgraça ao qual na atualidade chegou o capitalismo têm trazido de volta a hipótese da demolição da ordem pública tal qual a conhecemos. Fala-se da «anarquia das ruas», com o pavio acendido em Atenas, causada pela revolta incontida contra o recuo abrupto do Estado social e a falta de horizontes de sobrevivência, mas fala-se também da «anarquia dos mercados», determinada pela incapacidade de alguém prever ou moderar o seu comportamento errático. Todavia, a teoria política e a experiência dos movimentos sociais, não têm promovido o retorno do ideário anarquista ou anarcossindicalista que, desde os meados do século XIX, orientou os primeiros passos da reivindicação operária e ajudou a construir a perceção do futuro de um grande número de filósofos, escritores, artistas e outros atores sociais. Existe de facto um peso, determinado pela domesticação dos partidos da esquerda e dos sindicatos, que esvaziou o velho filão do anarquismo militante, da escola de Bakunine, confinado à cultura antiquada dos militantes saudosos de outros tempos, com bandeiras desbotadas que já não mobilizam, ou, longe deles, a setores de jovens automarginados, que encontram na atitude libertária o arsenal da sua barricada identitária. E, no entanto, como sugere Octavio Alberola, porque não associar o anticapitalismo que a crise fez reemergir a um antiautoritarismo renascido, capaz dar perigosamente voz a quem já não acredita nas burocracias partidárias e sindicais? Eis uma questão levantada, com uma reflexão convincente e propostas à vista, num pequeno livro de M. Ricardo de Sousa (Os Caminhos da Anarquia, da Letra Livre) que anda aí, algo escondido, pelas estantes das livrarias. Apresentado como uma reflexão pessoal «sobre alternativas libertárias em tempos sombrios», levanta uma possibilidade de ressurgimento na luta social que, no contexto presente de gestão crítica das expectativas e das sobrevivências, é de ter em atenção

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11.6.12 do Blog de Joana Lopes, Portugal

Em defesa do Serviço Nacional de Saúde



COMUNICADO CONJUNTO DAS ORGANIZAÇÕES MÉDICAS 
Em defesa do Serviço Nacional de Saúde e dos Portugueses 

A situação na área da saúde tem conhecido uma preocupante e dramática degradação nos últimos meses que está a limitar o acesso aos cuidados de saúde a uma parte muito significativa da população. O direito à protecção da saúde para todos os portugueses está consagrado no artigo 64º da Constituição Portuguesa e é dever de todos, e em particular dos nossos governantes, defendê-lo e promovê-lo. 

A Saúde é, no nosso país, um exemplo marcante de capacidade de desempenho de um serviço público ao ter atingido excelentes indicadores que o colocam nos primeiros lugares a nível mundial. O SNS, como instrumento de garantia do direito constitucional à saúde, tem desempenhado um papel central na concretização da coesão social e constituído um sólido pilar do Estado Social. 

Os médicos, ao longo de diversas décadas, têm apoiado a universalidade dos cuidados de saúde e têm garantido um elevado nível de exigência formativa que confere ao exercício da profissão médica uma inquestionável qualidade técnico-científica, reconhecida claramente no plano internacional. 

A política desenvolvida pelo atual Ministério da Saúde, com o obsessivo pretexto da crise, tem generalizado os cortes sistemáticos sem qualquer preocupação com a qualidade dos cuidados de saúde, e consequentemente com elevado impacto negativo humano e social. 

Embora o Ministro da Saúde se desdobre em profusas declarações públicas de suposto apego ao SNS, as medidas práticas em execução mostram que os resultados vão todos no sentido da sua integral destruição. 

A mais recente medida do Ministério da Saúde, ao publicar um concurso para entregar a empresas privadas as contratações de médicos dos serviços públicos, para além de pretender destruir a contratação colectiva e as carreiras médicas, visa eliminar também a qualidade e a segurança da profissão médica e dos cuidados prestados. 

Nos últimos 5 meses, o Ministério da Saúde adoptou um comportamento negocial deplorável e revelador de uma evidente falta de seriedade política ao protelar a apresentação de propostas concretas, enquanto preparava medidas de desarticulação e de destruição do SNS e da qualidade assistencial. 

Num momento desta gravidade e com as medidas ministeriais em curso, a Ordem dos Médicos, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) consideram que se tornou inadiável desencadear um conjunto de medidas enérgicas em defesa do SNS, do direito dos cidadãos à saúde e da qualidade da Medicina no nosso país. Assim, vêm divulgar as seguintes medidas ontem decididas em reunião conjunta:

- Exigir o respeito pelo direito dos doentes a uma medicina qualificada e cuidados médicos credenciados, defendendo a qualidade da formação médica pré-graduada, pós-graduada e contínua. 

- Pelos direitos dos Doentes, pela Qualidade da Medicina portuguesa e pela qualificação profissional médica, exigir a imediata anulação do concurso ministerial de contratação de empresas privadas e a implementação dos concursos legais de recrutamento dos médicos, aplicando na prática a legislação sobre as Carreiras Médicas. 

- Desencadear contactos com o Movimento “Médicos Unidos”, com a Associação Nacional dos Estudantes de Medicina (ANEM) e com outras associações sectoriais médicas para colaborarem com esta plataforma, numa perspectiva de ampla unidade dos médicos em defesa do SNS e da qualidade dos cuidados médicos. 

- Desenvolver contactos imediatos com as várias organizações de doentes e utentes dos serviços de saúde, com o objectivo de articular acções na defesa do SNS. 

- Contactar as Centrais Sindicais para analisar as formas de cooperação na defesa do SNS e da Contratação Colectiva. 

- Contestar pelas vias judiciais possíveis uma medida que viola os direitos constitucionais da contratação colectiva, do acesso à Função Pública e do direito ao trabalho. 

- Solicitar uma audiência ao Senhor Provedor de Justiça para apelar à sua acção quanto ao pedido de inconstitucionalidade do citado concurso. 

- Solicitar uma audiência ao Senhor Presidente da República. 

- Solicitar uma audiência à Comissão Parlamentar da Saúde. 

- Desencadear a muito curto prazo, a nível nacional e regional, reuniões de médicos nos principais locais de trabalho com o objectivo de proceder à mais ampla mobilização de esforços na defesa dos objectivos reivindicativos definidos. 

- Efectuar plenários regionais de médicos no Porto, em Coimbra e em Lisboa em data a designar. 

As duas organizações sindicais médicas decidiram também convocar uma GREVE NACIONAL DOS MÉDICOS para os dias 11 e 12 de Julho e face à qual a Ordem dos Médicos, compreendendo e partilhando as preocupações dos Sindicatos Médicos, não pode deixar de se solidarizar com esta e as outras medidas decididas, certa que está que os interesses dos doentes estarão sempre defendidos. 

Lisboa, 6 de Junho de 2012

Federação Nacional dos Médicos – FNAM

Ordem dos Médicos – OM

Sindicato Independente dos Médicos – SIM

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Recebi do Raymundo e repasso



Folha de S.Paulo; São Paulo, terça-feira, 29 de maio de 2012Opinião


Opinião



Lições do melhor professor que conheci

Só fez doutorado por exigência da USP, não era um cientista. Mas Almir sabia ensinar. Hoje, a universidade não valoriza o docente que não faz pesquisa
Aos 75 anos, morreu na semana passada, vítima de uma parada cardíaca, Almir Massambani, docente de física desde 1962 na USP de São Carlos. Seu nome é pouco conhecido, a não ser por seus ex-alunos.
Almir foi um professor de verdade. Não era um cientista, fez um doutoramento porque a USP exigiu, mas o que ele gostava mesmo de fazer era de ensinar, conviver e amar seus estudantes. E era amado por eles. Fazia questão que seus alunos aprendessem o que estava ensinando.
Era professor por excelência, pois o que o motivava e preocupava era o sucesso do aluno, não o seu próprio - figura rara nas universidades de hoje, pois o bom docente que não pesquisa tem pouquíssimos mecanismos de valorização e promoção.
Formar bem profissionais e novas lideranças pode exigir produção, aplicação e divulgação de novos conhecimentos, mas para ensinar bem é preciso vocação e preparo específico. Caso contrário, essas instituições não deveriam ser universidades, mas centros de pesquisa.
O que mais vejo nos meus estudos sobre evasão no ensino superior: a pouca atenção que se dá ao aluno ingressante é uma das maiores causas do abandono de cursos, como já provou Vincent Tinto, o maior especialista do mundo no assunto.
O que vemos mais é a nostalgia -por vezes revoltada- que os docentes demonstram com a qualidade dos alunos que recebem quando comparada à de épocas passadas. Isso é um fato na maioria dos lugares, mas temos que lidar com os alunos como eles são, buscando formas de fazer com que acompanhem o curso.
Como eu sou natural do Rio (e Almir também era), sempre comentávamos que "jacaré" se pega no início da onda. No ensino, não é diferente. Se o aluno não pega a "onda" nos primeiros meses de aula, a onda passa e ele fica -ou seja, não acompanha a disciplina, é reprovado e, muitas vezes, desiste do curso. Uma perda para ele, para a instituição e para a sociedade como um todo, pois o país fica mais pobre!
Almir aplicou esse princípio ao enfrentar uma turma problemática no primeiro ano do nosso Instituto de Física de São Carlos. Sentou-se com a turma e quis entender qual seria o ponto correto de partida -não aquele que está nos livros, mas aquele que a turma poderia acompanhar.
Explicou o que precisariam saber para poder iniciar a disciplina, orientou a cada um para cobrir as lacunas por um mês e, a partir daí, iniciou o curso propriamente dito. Sucesso absoluto, reprovação baixíssima.
Hoje, o querido Almir seria o que se chama "coach", figura tão valorizada nos processos de formação intelectual, artística ou esportiva.
Quando elogiado, perguntava: "Não é obrigação do professor fazer o aluno aprender?" Esse era o Almir. Um grande professor, o melhor que conheci. E um grande amigo.

ROBERTO LEAL LOBO E SILVA FILHO, 73, professor titular aposentado do Instituto de Física de São Carlos da USP, é presidente do Instituto Lobo. Foi reitor da USP

domingo, 10 de junho de 2012

PRIMEIRA, sim a primeira Marcha das Vadias, na Má-ringa

Primeira Marcha das Vadias da Má-ringa
Isa, sempre original
Ferd

Arrá!

Via Facebook

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Compartilhei da Mariana Festucci
"Escreves-me que talvez dentro de mim eu saiba que em algum lugar existe um homem que me pertence! Não sabes que em tudo o que faço tenho-te em mente!" - (Rosa Luxemburgo para Leo Jogiches, em 6/3/1899 - In: Cartas de amor de mulheres notáveis. Rio de Janeiro: Best Seller, 2011, p.148).
Bom dia, Roberto Romano

Nesse domingo um foto de gatos e suas sombras.

Concordo com a chamada indignação que vemos daqueles que ficamexasperados ao ler os jornais, ao ver TV, ao ouvir seu pastor ou padre.... etc. Desses estou cansada também.

abraços!

sábado, 9 de junho de 2012

Sublime!

Não sei de quem é a foto. Ri junto.

Final previsto .... Braziu!

Charge de João Bosco
Aroeira
Tudo sobre o final do episódio (sic) Cachoeira 

Solda

Ivan

do Blog do Solda

www.cartunistasolda.com.br

Morre, em Londres, o jornalista e escritor Ivan Lessa

Ivan Pinheiro Themudo Lessa (São Paulo, 9 de maio de 1935, Londres, 8 de junho de 2012), mais conhecido como Ivan Lessa, jornalista e escritor brasileiro. Foto BBC – Divulgação
Retratos 3×4 de alguns amigos 6×9
Com as cravelhas do passado Ivan (Pinheiro Themudo) Lessa tenta afinar as cordas nervosas do presente. Bípede implume por decisão própria, acha egretes penas de outros pássaros. Sua raça não nega, aliás é onde se afirma. Bilíngüe em várias línguas, o inglês é o melhor português em que se exprime. Não tem fé nem esperança, mania que aprendeu em Londres. Por isso prefere começar seus weekends na segunda-feira, porque tem bem mais end. Quando fica não vai, mas sabe que é um equívoco. É desmancha prazeres, mas só pelo gosto de arrumá-los de outra forma. Gente pra ele não tem interjeição. Às vezes fica fora de si e volta decepcionado. E diz que nem só comer e coçar é questão de começar. Viver também. Extremamente atento, quando não percebe é porque não tem brilho. Ou então já não respira. Um dia foi lá mas não encontrou ninguém. E, desde então, o que mais o oprime é a certeza diária da abóbada celeste. Como o cão do provérbio, ladra e não morde, mas faz pipi em cima. Escreve pouco, lê paca, aprecia desgostos e, entre as seis e as seis e dez, tem sempre nove minutos de extrema euforia. Seu estilo é marcante, o seu rastro profundo, tem uma nuca impossível, o nariz aquilino e um pouco de miopia que o faz enxergar longe. Embora ainda não tal pai já é tal filho e Orígenes é de onde se origina.
Gosta do canoa furada, rato de hotel, adubo químico e passe de mágica. Ama o feio e bonito lhe parece. Diz o que quer e vê o que não quer. Sua fisionomia é a contragosto pois o que ele adora mesmo é antipatia. Ancorado no Leme, do alto daquela cobertura quarenta cegos o contemplam. Acha que homem serve pra se atirar caroço na cabeça do alto da sacada. E que feiura não se esconde, está na cara. Bolsa a tiracolo, dente incisivo, tem tanta fé no ser humano que costuma dizer que o lobo é o homem do lobo. Com uma mão lava a outra e com as duas bate palmas para os espectadores que saem no meio. Sólido de passo, é transparente no ato. Casado há pouco, esta morando num edifício com o nome da mulher, nessa suprema modéstia que é ser homem. Nos períodos do ano em que todo mundo faz sol ele chove a cântaros e ainda bate aquele barulhinho no telhado. Só entra em elevador que tem claustrofobia. Gosta de velho precoce, edifício sem último andar e restos de naufrágio. Às vezes sim, a maior parte das vezes porém não. Vaidoso, de vez em quando permite que um espelho se olhe nele. Mas na hora das grandes reflexões fica sozinho. Ainda muito moço já sabe bem o que quer: quando crescer vai ser um ancião. Está naquela perigosa idade entre os vinte e os noventa, quando não se dá mais mão dupla, ainda não se é senso único e já se tem que apelar para o nonsense. Mas quem olhar bem para o Ivan perceberá, no seu five o’ clock shadow, um atraso de pelo menos trinta e três minutos. Já o seu five o’ clock tea é as cinco em ponto. E sua modéstia à parte ninguém bate. Um dia me fez um elogio tão sincero que eu percebi toda a minha hipocrisia.
Cognominado e imbuído, também foi aferidor no instituto de Dois Pesos e Duas Medidas. Não fuma e não bebe a não ser quando leva o cigarro aos lábios e o copo à boca. Vive todos os dias vinte e quatro horas, crê que a esperança é a última que mata, adora terapêutica e futebol sem botão. Acha a vida um jogo e por isso não joga. Em 27 de maio de 1969 entrou pessoalmente num concurso do Kennel só para desmoralizar o arianismo dos cachorros. E outra vez foi ao Jóquei com a mesma intenção, mas os cavalos da porta não o deixaram entrar. Sempre que chega em casa toca a campainha, complexo infantil de querer ser tratado como gente de fora. Está satisfeito com a própria vida embora continue achando a música muito melhor que a letra. Feito à semelhança de Deus diz que isso é um lamentável erro do Todo Poderoso. Com o mesmo material se poderia fazer um homem muito mais confortável aqui assim nos ombros.
Nada longe, cospe em distância, pára obrigatoriamente antes de atravessar, e vai sempre reto até o final e só aí é que dobra à esquerda. Depois da Igreja, é claro. Por isso um dia caiu no pélago profundo. Mas, como ninguém viu, fingiu que não foi nada. Imita bem Groucho Marx, Hitler, Churchill, Orlando Silva e Tereza Souza Campos, mas como faz tudo ao mesmo tempo, ninguém jamais percebe. No dia em que eu nasci não pôde comparecer, mas é tão educado que me mandou um cartão, treze anos depois. Tem alguns amigos que se transviaram e, do lado de lá da calçada, começaram a assobiá-lo de outro prisma. Cético, só não funda uma religião com receio que o sigam. Primo entre si, fim de epopéia, Ivan, em suma, não acredita que o DNA seja responsável pelo palhaço que mora dentro dele.
E, autodidata, nunca ninguém lhe ensinou como viver sua existência. Vive de ouvido.

UNIDOS NA BEBIDA

Uia!

de ROBERTO ROMANO

Bem reitores bajulam o governo federal desde longa data. Autonomia? Palavra e coisa que ignoram. Rastejam as sandálias para os palácios. E fazem estragos como o da reportagem abaixo.

Caro Romano: rastejam as sandálias nos governos estaduais também....

Universidades

Reitor de federal do PA é acusado de superfaturamento

Professores e alunos da Ufopa levaram caso ao TCU e ao MEC. Diferença na aquisição de 13 equipamentos seria de 1,8 milhão de reais

Gabriel Castro
Prédio interdisciplinar da UFOPA, no campus Tapajós
Prédio interdisciplinar da UFOPA, no campus Tapajós (UFOPA/Divulgação)
Reprodução
Tabela aponta superfaturamento em compras da UFOPA: diferença ultrapassa 2000%
Tabela aponta superfaturamento em compras da UFOPA: diferença ultrapassa 2000%

Um grupo de professores e alunos da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) levou ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério da Educação um dossiê acusando o reitor da entidade, José Seixas Lourenço, de superfaturar gastos. O material mostra graves indícios de sobrepreço na compra de equipamentos e na aquisição de lotes pela instituição de ensino. O documento lista 13 itens utilizados em pesquisas que teriam sido comprados por valores inflados.


No total, o acréscimo seria de 1,8 milhão de reais. Em um dos casos, a diferença de preço entre o valor pago e o praticado pelo mercado ultrapassa os 2.000%: um ultrassom avaliado em 15 800 reais foi comprado por mais de 343.000. Há ainda questionamentos quanto à aquisição de três terrenos. Em um dos casos, a universidade pagou 1,2 milhão por um lote que a prefeitura de Santarém avaliara, meses antes, em 238.000.

A Ufopa comprou ainda um terreno de 5 hectares por 4 milhões de reais depois de rejeitar, pelo mesmo preço, a aquisição de um lote de 100 hectares às margens do Rio Tapajós. "As aquisições foram feitas unilateralmente pelo reitor, sem consulta a nenhuma instância colegiada da universidade", diz o dossiê.

Além da comunidade acadêmica, que pede a saída do reitor do cargo, o deputado federal Zé Geraldo (PT-PA) encampou a mobilização contra o comando da Ufopa.

A Universidade Federal do Oeste do Pará foi criada em novembro de 2009 e ainda não apresentou uma prestação de contas sequer. O reitor José Seixas Lourenço ocupa o mandato interinamente, enquanto o estatuto da instituição não fica pronto. A demora na convocação de eleições também suscita críticas da comunidade acadêmica.

Resposta - A reitoria se diz vítiam de "ataques" e nega as acusações de corrupção. A entidade reconhece, entretanto, indícios de sobrepreço em parte das compras e alega ter exigido explicações da empresa responsável pelos equipamentos. Mas, para se defender, alega que a variação nos valores se deve a fatores como o preço do frete e tarifas alfandegárias.

A reitoria também rebate a afirmação de que houve irregularidades na aquisição dos terrenos. Diz que a avaliação dos imóveis é feita com base em critérios objetivos. A entidade alega ainda que o terreno de 100 hectares nem mesmo chegou a ser formalmene oferecido à Ufopa.

Sobre bajuladores ...

De Roberto Romano

Caro Romano: Frase sublime de Teofrasto. Li seus textos sobre os reitores e este abaixo. Estamos no país da bajulação e dos bajuladores. Reitores bajulam o e a presidente do Brasil, há até reitores que bajulam tudo, o que der e vier.... bajulariam um cão, se este lhe desse um voto.   Que feio!

Estado de São Paulo, sobre o favor...





"A lisonja é um comércio vergonhoso, mas lucrativo para o bajulador"(Teofrasto).

http://www.article11.info/
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O favor indecoroso

09 de junho de 2012 | 3h 08


ROBERTO ROMANO, filósofo, professor de Ética e Filosofia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); é autor, entre outros livros, de 'O Caldeirão de Medeia' (Perspectiva) -
O Estado de S.Paulo
Sobre o diálogo secreto dos srs. Luiz Inácio da Silva, Gilmar Mendes e Nelson Jobim, muito foi dito ou escrito. Poucos analistas sublinharam, nele, a prática do favor. Ninguém se reúne em sigilo para trocar nonadas. Se é impossível que o povo soberano tenha acesso ao tema do simpósio, existe, no entanto, a certeza, trazida pelos relatos dos envolvidos, de que houve favor para facilitar a conversa. Nelson Jobim foi bondoso ao emprestar salas para que os dois outros discutissem o sexo dos anjos? O favor, no caso, quebrou hierarquias e competências (se o trato fosse legítimo, haveria audiência formal) e abalou ainda mais a confiança nas instituições. Pensemos a origem do favor em nossa vida política.
O Estado depende da ética social que o envolve. Na sociedade brasileira governa o favor, obstáculo que impede a autonomia dos eleitores e distorce a vida parlamentar. O favor dissolve os traços igualitários da vida pública. No mercado, nos partidos, em igrejas e seitas religiosas, ele define alianças que tornam as doutrinas irrelevantes. Em todas as sociedades, antigas ou modernas vigora o favor. Mas países democráticos o regulam em prol de procedimentos impessoais e abstratos. Aqui ele é "mediação universal", como afirma Maria Sylvia de Carvalho Franco em Homens Livres na Ordem Escravocrata. No Brasil, poderoso é o político que mais auxilia os amigos, os aliados e, não raro, os próprios inimigos. O favor alimenta alianças, rebaixa ministros, ordena as pautas legislativas e atormenta o Executivo. Ele ordena redes de interesses obscuros, lobbies disfarçados, corrupção de agentes públicos por empresas privadas, achaque de empresas por funcionários estatais. Somos a antirrepública do favor, assumido como técnica predileta de oligarcas como José Sarney e similares. E não existe favor gratuito: a censura à imprensa (como a aplicada ao jornal O Estado de S. Paulo) retribui obséquios prestados pelos nossos oligarcas. Não surpreende, pois, o sigilo usado pelos que controlam o poder.

O favor tem origem na República Romana e na sociedade do Antigo Regime. Nascemos sob o absolutismo que se firma no século 16. Nele o favor impera na corte e nos elos entre os nobres. Como enuncia o historiador Joël Cornette, o rei sustenta aliados e os liga à venalidade na administração pública. A ascensão política é feita pelos grupos e indivíduos numa imensa rede de favores. Os interessados (rei e nobres) precisam de intermediários e nasce o "é dando que se recebe". No absolutismo, diz outro historiador (Jean Petitfils), o favor define a rede de interdependência em que o nobre se insere desde o nascimento, se casa e sustenta a reputação de sua família. O alvo é atingir conexões em estratos mais altos, nas redes de interesse. É o arrivismo geral. Entre os pactos tácitos está o que enuncia que alguém "pertence" a um outro, é sua "criatura". Tais cadeias prendem o patrão, o cliente e os brokers (os intermediários). No corrupto Antigo Regime, "quem precisa de um outro é indigente e se curva. (...) O ministro dá seu passo de cortesão, bajulador, serviçal ou mendigo diante do seu rei. A massa dos ambiciosos dança as posições de cem maneiras, umas bem mais baixas do que as outras, diante do ministro" (Diderot, O Sobrinho de Rameau). Pantomima pior é exibida nos palácios brasileiros de hoje.

Mas o invento da clientela é de Roma. Como no Antigo Regime, as relações políticas romanas são praticadas segundo o favor. O consulado foi possível por causa do trato obsequioso das famílias nobres com os clientes. Os cargos maiores de Roma eram gratuitos, porque os ocupantes, ricos e poderosos, não viam como adequado à sua dignidade receber para administrar. Os salários no governo marcam regimes que fornecem acesso ao poder a todos os cidadãos. Roma não é uma democracia. Nela a eficácia política depende da fratura entre quem governa e a massa dos que obedecem. O cimento que os une é o fauor (favor). Favere tem o sentido de "ser favorável", na língua comum e política. Fauor significa o próprio voto, mas não a campanha política, que tem por nome officium. O favor manifesta-se por sinais externos : laude, plausus, clamor (louvação, aplauso, clamor). A partir do teatro, aqueles termos são aplicados à política. E o favor indica "popularidade". Fauere significa "trabalhar para o aumento da posição política de alguém". Se o cliente tem o dever moral de votar no patrão, este último deve protegê-lo. Como na República existe a fictícia soberania popular (a Monarquia caíra com Tarquínio), o favor do voto tem o nome eufêmico de beneficium. Tal relação se cristaliza no obsequium (indulgência, complacência) e na ambitio, palavra para caracterizar os candidatos quando eles perdem a vergonha na caça aos votos. O favor é ambição indecorosa.

Voltemos ao bafafá gerado por nossos homens ilustres. Entre Luiz Inácio da Silva e Gilmar Mendes, Nelson Jobim operou como "broker", intermediário que, na clientela política, aproxima favorecidos ou fontes de obséquio. Houve ausência do necessário decoro na cena ocorrida. Decoro e prudência definem o que é permitido às pessoas públicas: roupas, modos de falar, tratamentos, lugares e ocasiões. Spinoza diz que se o governante "corre, ébrio e nu (...) nas praças, faz o papel de histrião ou despreza abertamente as leis que ele mesmo estabeleceu, é impossível que ele conserve a majestade do poder (...), pois tais coisas transformam o respeito em indignação e o estado civil em estado de guerra" (Tratado Político). O decoro não é "simples formalidade" porque a pessoa pública representa o Estado. Suas excelências não viram o "detalhe". Os agrados anteriores e os insultos posteriores falaram mais alto do que o respeito à cidadania. E agora José Sarney executa o favor de "apaziguar os ânimos" dos poderosos. Triste e indecoroso Brasil.

E aqui...?

Como no Brasil?

sexta-feira, 8 de junho de 2012

poizé!


Nesse sublime livro há os 38 estratagemas para ludibriar um debate e ganhar a batalha. Não está dando certo na CPI do Cachoeira. Ou está dando certo para o Cachoeira. Quando os senadores gritam, esperneiam dão razão ao Cachoeira, ao Demóstenes ....

Veja aqui a recomendação de Shopenhauer:

38)"Último estratagema: Ofensas pessoais"
Atacar o adversário pessoalmente, com grosseria e agressividade, quando o debate se mostra de todo perdido.

E as Universidades federais em greve?

Resposta: a mesma dos tempos de FHC.

Poucos inocentes

do Blog de Joana Lopes, Portugal e a crise duríssima que arrasa jovens, velhos e ....

No Expresso de hoje, um longo texto, violentíssimo, de Miguel Sousa Tavares. Alma caridosa mo enviou por mail, caridosamente aqui fica.

Alguns excertos e na íntegra também.

«Que o trio formado pelo careca, o etíope e o alemão ignorem que em Portugal se está a oferecer 650 euros de ordenado a um engenheiro electrotécnico falando três línguas estrangeiras ou 580 euros a um dentista em horário completo é mais ou menos compreensível para quem os portugueses são uma abstracção matemática. Mas que um português, colocado nos altos círculos europeus e instalado nos seus hábitos, também ache que um dos nossos problemas principais são os ordenados elevados, já não é admissível. Lembremo-nos disto quando ele por aí vier candidatar-se a Presidente da República. (…)

Quando um dia se fizer a triste história destes anos de suicídio europeu, haveremos de perguntar como é que a Europa foi governada e destruída por um clube fechado de irresponsáveis, sem uma direcção, uma ideia, um projecto lógico. Como é que se começou por brincar ao directório castigador para com a Grécia para acabar a fazer implodir tudo em volta. Como é que se conseguiu levar a Lei de Murphy até ao absoluto, fazendo com que tudo o que podia correr mal tivesse corrido mal. (…)

Ou como é que um pequeno país, como Portugal, experimentou uma receita jamais vista — a de tentar salvar as finanças públicas através da ruína da economia — e que, oh, espanto, produziu o resultado mais provável: arruinou uma coisa e outra. E como é que, no final de tudo isto, as periferias implodiram e só o centro — isto é, a Alemanha e seus satélites — se viu coberto de mercadorias que os seus parceiros europeus não tinham como comprar e atulhado em triliões de euros depositados pelos pobres e desesperados e que lhes puderam servir para comprar tudo, desde as ilhas gregas à água que os portugueses bebiam.

Deixemos os grandes senhores da Europa entregues à sua irrecuperável estupidez e detenhamo-nos sobre o nosso pequeno e infeliz exemplo, que nos serve para perceber que nada aconteceu por acaso, mas sim porque umas vezes a incompetência foi demasiada e outras a inocência foi de menos. (…)

Tenho muitas mais ideias, algumas tão ingénuas como estas, mas nenhumas tão prejudiciais como aquelas com que nos têm governado. A próxima vez que o careca, o etíope e o alemão cá vierem, estou disponível para tomar um cafezinho com eles no Ritz. Pago eu, porque não tenho dinheiro para os juros que eles cobram se lhes ficar a dever.»

tempo, tempo, tempo...

Como no Blog de Joana Lopes, O tempo que passa, Piaf, 1960

E em Portugal

cap-tirado do Blog de Joana Lopes

O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo!

Sonho e pesadelo, por Joana Lopes, Portugal


«O que ninguém perdoará a este governo não é o estar a aplicar o plano negociado pelo governo de Sócrates com a troika. O que é imperdoável é o primeiro-ministro, o MNE e o ministro das Finanças não cessarem de se regozijar com esse facto. Nos dias revolucionários da minha juventude, lembro-me de uma frase pintada numa rua de Lisboa: "O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo." Na verdade, os governantes de Lisboa, a quem os credores impuseram o programa, a estratégia, a táctica e o detalhe, quando dizem "que querem ir mais longe do que a troika", funcionam como o escravo que, para diminuir a ferida narcísica da humilhação, se cola por excesso à pele do seu dono. O PM sonha o delirante programa da troika, como se fosse o seu sonho. O resultado é o pesadelo em que o País está a transformar-se.» (Realce meu.)
Viriato Soromenho-Marques

Madame Lagarde e a Grécia

O quê? A Grécia não é a Letónia? por Joana Lopes, Portugal, Blog Entre as brumas da memória



Christine Lagarde declarou ontem, em entrevista ao jornal sueco Svenska Dagbladet, que «a Grécia e outros países confrontados com a crise da dívida deviam inspirar-se no programa de reformas aplicado pela Letónia» – um caso de sucesso, na sua opinião.

As reacções não se fizeram esperar, nomeadamente em Atenas, onde a responsável pelo FMI é acusada de estar «um pouco confusa». Depois de ter dito, há alguns meses, que a Grécia devia atingir o nível da Croácia, virou-se agora mais para Norte – não para a Suécia, nem para a Finlândia, mas para a Letónia.

E recorda-se uma análise que já tem alguns meses (publicada em 27 de Maio de 2011), onde se enumeram os motivos pelos quais o programa de austeridade da Letónia não é aplicável a outros países:

«Uma vantagem [da Letónia] era ter um nível muito baixo de dívida pública no início da crise. Em 2007, a dívida bruta do governo da Letónia era apenas 9 por cento do PIB, bem menor do que os 25% da Irlanda e muito melhor do que a situação de Portugal (68%) ou da Grécia (105%). É claro que a recessão fez subir a dívida e esta deve ultrapassar 50% do PIB no próximo ano. Ainda assim, a situação é muito melhor do que a dos outros três países que estão a receber ajuda de emergência da União Europeia e do FMI, os quais, em breve, verão a dívida ultrapassar 100% do PIB. Ao longo da história, muito poucos países recuperaram, sem default, de rácios da dívida pública superiores a 100%.

Uma segunda vantagem é que a Letónia dependia pouco do sector bancário doméstico. Os bancos com base na vizinha Escandinávia dominam o mercado, todos foram atingidos pela bolha imobiliária letã, mas nenhum faliu. Mais importante ainda: poucas perdas bancárias apareceram nos balanços do governo letão. Parex, o maior banco doméstico, foi a única excepção: faliu e foi nacionalizado em 2009, mas a sua quota de mercado no início da crise era apenas 14%. A situação contrasta com a da Irlanda, onde o governo assumiu perdas com a falência dos seus grandes bancos, perdas essas que fizeram com que a modesta dívida pública, com que o país entrou na crise, parecesse uma ninharia.

A terceira vantagem para a Letónia foi ter uma situação política bastante estável. Seria um exagero dizer que a austeridade foi uniformemente bem recebida pelos eleitores, mas eles reelegeram o governo, em Outubro de 2010, facto citado positivamente pelas agências de rating e raramente o país tem assistido a manifestações violentas. Pelo contrário, os programas de austeridade deitaram abaixo os governos da Irlanda e de Portugal e aumentaram a incerteza. (…)

Tomando em conjunto estas considerações, pode-se concluir que a austeridade era o caminho correcto para a Letónia? Não necessariamente.

A Letónia é diferente da Grécia, da Irlanda e de Portugal ainda por um outro factor importante: não é membro da zona euro. Apesar de a sua moeda ter sido indexada ao euro desde 2005, essa ligação é puramente voluntária. Ao passo que não há nenhuma maneira fácil para que um membro da zona euro regresse à sua própria moeda, a Letónia poderia terminar a sua política de câmbio fixo a qualquer momento.»

(Publicado também aqui.)

E em Portugal....


Cá vamos, muito pacientes, diz Joana Lopes, de Portugal no Blog Entre as brumas da memória.
Cabral arrotou bravata contra os bombeiros. Agora, manso, bem mansinho ... nada fala de sua amizade com os donos da Delta.

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